Fabricante afirma que ex-funcionário explorou uma falha para baixar documentos confidenciais e acusa a rival de se beneficiar de informações sigilosas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apple acusa OpenAI de usar segredos comerciais para desenvolver divisão de hardware — Foto: Michael Nagle/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/07/2026 - 12:14 Apple processa OpenAI por uso indevido de segredos comerciais A Apple entrou com ação judicial contra a OpenAI, acusando um ex-funcionário, Chang Liu, de explorar uma falha de software para acessar e extrair informações confidenciais. Liu, que se juntou à OpenAI, teria levado conhecimento sobre falhas de segurança e mantido contato com uma colega da Apple para continuar a exploração. A disputa destaca a crescente tensão entre as empresas, que competem no emergente mercado de dispositivos baseados em IA. A Apple alega que a OpenAI utilizou práticas inadequadas para recrutar e obter segredos comerciais, enquanto a OpenAI nega interesse nessas informações. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando o engenheiro de iPhone Chang Liu deixou a Apple para trabalhar na recém-criada divisão de hardware da OpenAI, a fabricante do iPhone afirma que ele levou mais do que anos de experiência. Segundo uma ação judicial apresentada na sexta-feira, Liu saiu da empresa com três coisas: um MacBook corporativo que nunca devolveu, um relacionamento próximo com uma funcionária da Apple que continuou compartilhando informações internas e, principalmente, o conhecimento de uma falha de software que lhe dava acesso contínuo aos servidores internos de arquivos. "LOL, descobri que consigo acessar o armazenamento da rede, muito engraçado", escreveu Liu para sua ex-colega da Apple, Alyssa Peng. A Apple alega que ele usou esse acesso para baixar apresentações, projetos de hardware, detalhes de fabricação e procedimentos de testes enquanto já trabalhava na OpenAI. Segundo o processo, quando Liu descobriu a falha, Peng ajudou a explorá-la. Ela respondeu "Estou pronta" e, posteriormente, auxiliou na obtenção de mais informações usando seu próprio notebook. Alguns meses depois, em abril, Peng também deixou a Apple para ingressar na crescente divisão de hardware da OpenAI. Ela se juntou a mais de 400 ex-funcionários da Apple atraídos pela oportunidade de trabalhar em dispositivos de nova geração projetados para substituir o iPhone, de duas décadas de existência, com salários e pacotes de ações superiores aos oferecidos pela Apple. Segundo a Apple, esse episódio é um entre vários que demonstrariam um “esforço sistemático para adquirir, reter e usar” informações confidenciais da empresa para ajudar a OpenAI a reproduzir décadas de trabalho na construção da fabricante de eletrônicos de consumo mais bem-sucedida do mundo. A ação, de 40 páginas, afirma que a OpenAI incentivava candidatos que ainda trabalhavam na Apple a estudar materiais confidenciais antes das entrevistas e até a levar componentes de hardware e protótipos para sessões de demonstração em seus escritórios. Em resposta ao processo, a OpenAI afirmou que “não tem interesse nos segredos comerciais de outras empresas”. — Continuamos focados em desenvolver tecnologias inovadoras que capacitem pessoas em todo o mundo — disse um porta-voz da empresa sediada em São Francisco. O processo foi apresentado após meses de crescente tensão entre Apple e OpenAI — parceiras que vêm se tornando rivais. As duas empresas disputam o nascente mercado de dispositivos baseados em inteligência artificial, categoria que promete transformar a forma como consumidores utilizam tecnologia. No centro da disputa está Tang Tan, ex-executivo da Apple responsável pelo design do iPhone, do Apple Watch e de outros produtos. No fim de 2023, ele informou aos superiores que deixaria a empresa para assumir um novo cargo, que mais tarde se tornaria o de diretor de hardware da OpenAI. Na época, havia poucos indícios de que sua saída terminaria em uma batalha judicial. Em uma medida incomum, a Apple permitiu que ele permanecesse até fevereiro de 2024 para conduzir a transição e reorganizar a divisão de hardware. Nos bastidores, porém, Tan já trabalhava com o ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, e com o CEO da OpenAI, Sam Altman, em um ambicioso projeto de hardware. O objetivo era criar uma nova categoria de dispositivos de inteligência artificial que pudesse um dia desafiar o próprio iPhone. Tan e Ive ajudaram a fundar a io Products, startup adquirida pela OpenAI no ano passado por US$ 6,5 bilhões. Eles desenvolveram o projeto ao lado de Evans Hankey, sucessora de Ive no comando do design industrial da Apple, e Scott Cannon, ex-gerente de manufatura da Apple que deixou a empresa em 2010. A Apple afirma que ficou rapidamente alarmada com a estratégia de recrutamento da OpenAI, que passou a atrair líderes das áreas de hardware e design e a esvaziar diversas equipes de engenharia. O movimento continuou até recentemente. Em junho, a OpenAI contratou Paul Meade, chefe da área de óculos inteligentes da Apple. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, ele foi desligado imediatamente da empresa e não teve a oportunidade de permanecer durante um período de transição. Para a Apple, a busca por talentos parecia uma tentativa de recriar dentro da OpenAI a estrutura de desenvolvimento de produtos da fabricante do iPhone. "O nascente negócio de hardware da OpenAI agora repousa sobre bases extremamente frágeis, corrompidas em sua essência pela dependência ilegal de segredos comerciais apropriados indevidamente", afirmou a Apple na sexta-feira. Segundo uma pessoa que trabalhou com Tan, o executivo era conhecido por assumir riscos durante seus 25 anos na Apple e por "chegar muito perto do limite". — Tang é conhecido por agir rápido, correr riscos e quebrar as coisas — disse a fonte, que pediu anonimato. Tan ganhou notoriedade liderando o design dos primeiros notebooks Mac e iPods antes de assumir o desenvolvimento do iPhone original. Em 2011, passou a comandar toda a equipe de design do iPhone e, posteriormente, liderou os trabalhos no Apple Watch. Ao deixar a empresa, era um dos principais executivos da Apple. Enquanto isso, a OpenAI havia comprometido bilhões de dólares em sua iniciativa de hardware e avançava rumo a uma oferta pública inicial de ações (IPO). Ainda assim, quando adquiriu a io Products, a startup tinha pouco a mostrar além de conceitos e protótipos iniciais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Na época, a empresa ainda buscava definir uma estratégia de produto convincente. Hoje, a OpenAI trabalha em um dispositivo de inteligência artificial para substituir o smartphone, embora seu primeiro produto possa ser algo mais simples, segundo as fontes. A empresa já explorou conceitos como fones de ouvido, óculos inteligentes e alto-falantes com IA. A Apple, por sua vez, desenvolve uma nova linha de dispositivos domésticos, AirPods com câmeras, óculos e outros dispositivos vestíveis. A Apple afirma que tentou resolver a disputa antes de recorrer à Justiça, inclusive entrando em contato com a OpenAI em fevereiro. Segundo a empresa, ela alertou a rival sobre a possibilidade de informações confidenciais terem chegado até lá e pediu que investigasse o caso e impedisse novas ocorrências. A Apple alega que a OpenAI nunca respondeu. Os principais funcionários da OpenAI citados no processo, incluindo Tang Tan, não responderam aos pedidos de comentário. A ação também evidencia a relação desgastada entre Tan e John Ternus, seu ex-chefe e futuro CEO da Apple. A maior parte dos profissionais recrutados pela OpenAI veio justamente da divisão de engenharia de hardware comandada por Ternus, e alguns designers chegaram a apoiar Tan em vez dele para liderar a área de hardware em 2021. Segundo a Apple, Tan coordenava os esforços para obter informações confidenciais e transformava entrevistas de emprego em sessões para coletar detalhes sobre futuros produtos da empresa. Em um dos casos citados no processo, um funcionário obteve informações sobre um projeto poucas horas antes de se reunir com Tan para uma entrevista de emprego. "Depois, durante a entrevista, o sr. Tan solicitou mais informações sobre esse mesmo projeto da Apple. Isso se tornou um padrão", afirma a ação. A Apple também alega que, depois de aceitarem trabalhar na OpenAI, os funcionários eram incentivados a enviar informações de seus computadores corporativos para e-mails pessoais antes de pedir demissão, para utilizá-las posteriormente na startup de IA. Segundo a ação, a OpenAI distribuía uma "lista de verificação elaborada por Tang" para ajudar novos funcionários a evitar serem detectados pelas equipes de segurança da Apple. A empresa também afirma que Tan chegou a pedir que candidatos levassem protótipos para entrevistas de emprego, incluindo baterias, placas lógicas e outros componentes de hardware. Pelo menos um funcionário da Apple que se candidatou a uma vaga na OpenAI demonstrou preocupação com a prática, dizendo estar "surpreso que pessoas tenham levado" equipamentos ainda não lançados para entrevistas de emprego. Ele acrescentou que "não sabia que era permitido tirar esses itens do escritório". Em muitos casos, segundo a Apple, isso não era permitido.
Mensagem de engenheiro sobre acesso a sistema vira peça central de processo da Apple contra OpenAI
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