Fabricante do iPhone alega que startup conduz campanha coordenada para obter informações sobre produtos futuros da empresa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Loja da Apple em São Francisco — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 18:27 Apple Processa OpenAI por Roubo de Segredos Comerciais e Espionagem Empresarial A Apple processou a OpenAI, acusando-a de roubo de segredos comerciais e de realizar uma campanha para obter informações sobre produtos futuros. A ação, movida no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, menciona que a OpenAI teria incentivado funcionários da Apple a compartilhar dados confidenciais. A disputa marca uma ruptura entre as empresas, que antes colaboravam em tecnologias de IA, como o ChatGPT e a Siri. A Apple exige que a OpenAI cesse essas práticas e destrua os materiais obtidos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Apple está processando a OpenAI por suposto roubo de segredos comerciais, acusando a startup de inteligência artificial e seu chefe de hardware de conduzirem uma campanha coordenada para obter informações sobre produtos futuros da empresa. A fabricante do iPhone afirmou, em uma ação judicial apresentada nesta sexta-feira, que a OpenAI incentivou funcionários da Apple a compartilhar informações, componentes, desenhos e outros materiais relacionados a produtos ainda não lançados — como parte dos esforços da empresa de IA para desenvolver sua própria linha de dispositivos. Na ação, protocolada no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, a Apple também cita Tang Tan, diretor de hardware da OpenAI. Anteriormente, ele ocupava o cargo de vice-presidente de design de produtos da Apple, liderando o desenvolvimento do iPhone, do Apple Watch, dos AirPods e de diversos outros produtos da divisão de engenharia de hardware da empresa. A disputa judicial representa uma reviravolta dramática na relação entre duas empresas que, nos últimos anos, atuaram como parceiras próximas. A OpenAI, criadora do ChatGPT, forneceu tecnologia essencial para a plataforma Apple Intelligence e para a assistente virtual Siri. No entanto, as tensões vêm crescendo ao longo do último ano, agravadas pelo fato de a OpenAI ter recrutado o ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, para ajudar no desenvolvimento de novos dispositivos. A OpenAI, que se prepara para realizar uma oferta pública inicial (IPO) nos próximos meses, também atraiu inúmeros funcionários da Apple. Segundo o processo, mais de 400 ex-colaboradores da Apple trabalham atualmente na OpenAI. Sam Altman, diretor executivo da OpenAI, durante a Conferência Mundial de Desenvolvedores da Apple no campus Apple Park, em Cupertino, Califórnia — Foto: David Paul Morris/Bloomberg "Em todos os níveis, desde membros de sua equipe técnica até seu diretor de hardware e em coordenação com parceiros comerciais, a OpenAI vem roubando segredos comerciais e informações confidenciais da Apple", afirmou a gigante de tecnologia sediada em Cupertino, Califórnia, na ação judicial. "Como consequência natural, o nascente negócio de hardware da OpenAI está construído sobre bases extremamente frágeis, comprometidas em sua essência pela dependência ilegal de segredos comerciais obtidos de forma indevida." A Apple exige que a OpenAI interrompa essas práticas e destrua qualquer material obtido da empresa. A fabricante do iPhone, que solicita julgamento por júri, também quer que a OpenAI redesenhe seus futuros produtos para que eles não incorporem nenhuma tecnologia derivada da Apple. Um representante da OpenAI, sediada em São Francisco, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Segundo a Apple, Tang Tan incentivava candidatos a fornecer informações sobre produtos ainda não anunciados durante entrevistas de emprego. O processo também cita Chang Liu, ex-engenheiro de hardware do iPhone, acusando-o de fornecer materiais confidenciais. Liu ingressou na OpenAI em janeiro. "Ao longo de várias semanas, enquanto desenvolvia hardware para a OpenAI, o Sr. Liu acessou e baixou secretamente dezenas de arquivos confidenciais relacionados ao hardware da Apple, incluindo informações detalhadas sobre produtos ainda não lançados, apresentações de engenharia, especificações técnicas e dados proprietários de projetos", afirma a ação judicial. A Apple também afirma que seus funcionários eram "ativamente orientados" pela OpenAI sobre como conduzir sua saída da empresa. "A OpenAI aconselhou funcionários que estavam deixando a Apple a não revelar seu próximo empregador e forneceu orientações sobre como evitar a temida 'saída imediata' ('dreaded walk out'), procedimento pelo qual o funcionário é retirado imediatamente da empresa, em vez de cumprir o aviso padrão de duas semanas durante o qual ainda teria acesso às informações confidenciais e aos segredos comerciais da Apple", diz o processo. O caso evidencia a importância estratégica dos dispositivos de inteligência artificial de próxima geração para o Vale do Silício. Apple, OpenAI, Meta Platforms e outras empresas disputam o desenvolvimento de novos aparelhos que coloquem a IA no centro da experiência do usuário, preparando-se para uma era pós-smartphone. A Apple trabalha em dispositivos variados, como óculos inteligentes, pingentes inteligentes e versões dos AirPods equipadas com câmeras, todos parte de sua estratégia para adaptar seus produtos à era da inteligência artificial. Tang Tan deixou a Apple em 2024 para cofundar a startup de dispositivos de IA io Products, ao lado de Jony Ive e da veterana de design da Apple Evans Hankey. No ano passado, a OpenAI adquiriu a startup por US$ 6,5 bilhões. Nem Ive, nem Hankey são citados na ação. A Apple afirma que tentou resolver a disputa com a OpenAI extrajudicialmente meses atrás, solicitando que a empresa encerrasse essas práticas e eliminasse qualquer material proprietário obtido. Segundo a Apple, a OpenAI não respondeu, levando à abertura do processo. Em comunicado, a empresa declarou: "Evidências significativas surgiram indicando que indivíduos empregados pela OpenAI apropriaram-se indevidamente de informações secretas e confidenciais da Apple relacionadas às nossas tecnologias, processos e produtos ainda não lançados." Entre os profissionais que migraram da Apple para a OpenAI está também o principal executivo responsável pelo projeto de óculos inteligentes da empresa, que deixou a companhia no mês passado. Embora as duas empresas nunca tenham firmado uma parceria para desenvolver dispositivos de hardware, elas colaboraram em recursos de inteligência artificial utilizados no iPhone e em outros produtos da Apple. Essa parceria foi anunciada durante a Worldwide Developers Conference (WWDC) da Apple, há dois anos, com o CEO da OpenAI, Sam Altman, presente na plateia. Na ocasião, o chefe de software da Apple, Craig Federighi, chamou a OpenAI de "pioneira e líder de mercado" em inteligência artificial, e as empresas pareciam caminhar para uma ampla parceria estratégica. O acordo permitia que usuários acessassem respostas do ChatGPT diretamente pela Siri e utilizassem a tecnologia para gerar textos e analisar objetos ao redor por meio do recurso Visual Intelligence do iPhone. Posteriormente, a parceria foi ampliada, com a Apple incorporando o ChatGPT como opção para criar imagens no aplicativo Image Playground e para analisar conteúdos exibidos na tela. Entretanto, a relação envolvendo a integração do ChatGPT à Siri também se deteriorou. A Bloomberg News informou no início deste ano que a OpenAI estudava possíveis medidas legais contra a Apple. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a startup de IA considerava que a parceria não gerou os benefícios esperados e chegou a avaliar o envio de uma notificação por descumprimento contratual.
Apple entra na Justiça contra a OpenAI por suposto roubo de segredos comerciais
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