Erdogan, um muçulmano devoto e defensor dos chamados partos naturais, proibiu em abril de 2025 a realização desta intervenção cirúrgica em centros de saúde privados sem justificativa médica 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 As salas de parto oferecem modernos recursos para a equipe médica — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/07/2026 - 07:06 Turquia Multa Médicos por Cesáreas sem Justificativa Médica, Visando Aumentar Taxa de Natalidade A Turquia multou mais de 100 médicos por realizarem cesáreas sem justificativa médica, em linha com a campanha do governo para aumentar a taxa de natalidade. Desde abril de 2025, a prática é proibida em clínicas privadas sem necessidade médica. O presidente Erdogan, defensor do parto natural, busca reduzir a alta taxa de cesáreas no país, líder entre os 38 países da OCDE. Médicos criticam a medida, alegando que a cesárea é eficiente e segura. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério da Saúde da Turquia decidiu multar mais de 100 obstetras e ginecologistas por realizarem cesáreas, suspendendo-os de suas funções e obrigando-os a fazer cursos de capacitação, segundo informou o jornal BirGun no sábado. O país tem a maior taxa de partos por cesárea dos 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo os últimos dados disponíveis de 2023, com cerca de 615 para cada 1.000 nascidos vivos. Profissionais médicos declararam à AFP que este procedimento é mais eficiente em termos de tempo para a equipe de saúde — 30 minutos em comparação com as 12 horas que um parto natural pode alcançar — e reduz o risco de ações legais por complicações, algo que, em sua opinião, garante a segurança tanto para o médico quanto para as mulheres. Neste contexto, o governo turco lançou no ano passado uma campanha para enfrentar a queda da natalidade no âmbito da iniciativa "Década da Família" do presidente Recep Tayyip Erdogan, que o levou a exercer um maior controle sobre a forma como as mulheres dão à luz. Erdogan, um muçulmano devoto e defensor dos chamados partos naturais, quer enfrentar o número recorde de cesáreas na Turquia. Para isso, seu governo proibiu em abril de 2025 a realização desta intervenção cirúrgica em centros de saúde privados sem justificativa médica. O jornal BirGun afirmou que mais de 100 médicos foram multados por praticar cesáreas, segundo dados fornecidos por associações médicas de todo o país, o que desencadeou uma forte rejeição entre os profissionais de saúde. Enquanto isso, a Câmara de Médicos de Antalya destacou em seu site que os obstetras haviam recebido "advertências, sido submetidos a investigações disciplinares, suspensos temporariamente do exercício da profissão e obrigados a frequentar cursos de capacitação pré-natal, devido às elevadas taxas de cesáreas em todo o país". O portal de notícias Diken citou o caso de um obstetra de um hospital privado em Sakarya, perto de Istambul, que foi demitido a pedido do Ministério da Saúde por praticar uma alta taxa de cesáreas e posteriormente foi suspenso por seis meses. Durante esse período, o médico teria que fazer um treinamento em um hospital público e, em seguida, submeter-se a um exame. Caso seja aprovado, poderia retomar o exercício da profissão. A médica Ayse Gultekingil, uma alta funcionária da Associação Médica Turca (TTB), declarou ao BirGun que punir os médicos não resolveria o problema do elevado número de cesáreas na Turquia, o qual ela considerou "estrutural". "A taxa de partos por cesárea na Turquia supera os 60%. Mas este procedimento reflete diversos problemas dentro do sistema de saúde turco", afirmou.