Uma mulher ouve da mãe que o parto normal dói demais. A cesárea, dizem a ela, é mais segura.

O pré-natal inadequado não explica os benefícios do parto vaginal nem as opções para aliviar a dor. A decisão final fica nas mãos da equipe médica.

Em um hospital público, o parto começa. Mas a dor é forte. O parceiro pressiona para pedir uma cesárea, a única forma de conseguir anestesia ali —apesar de a analgesia peridural ser um direito. A cirurgia ainda garante a laqueadura.

Esse é um dos cenários que explicam por que a cesárea é a via de nascimento mais comum no Brasil, ainda que sete em cada dez brasileiras prefiram o parto normal no início da gravidez, segundo estudo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgado nesta segunda (13).

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que as cesarianas representem de 10% a 15% do total de partos. No Brasil, esse percentual chega a 47,6% em hospitais públicos e a 81,3% em hospitais privados.