Livro aborda como a bola molda nações, mobiliza multidões e influencia a história 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Leônidas da Silva e Neymar foram estrelas da seleção em momentos diferentes — Foto: Fotos de Arquivo e AFP Em que pese a sexta Copa do Mundo seguida sem vencer, a mística da seleção brasileira (e do futebol brasileiro) ainda vai permanecer no imaginário global. Embora possa haver controvérsia, é o que sustenta o professor Adriano de Freixo, da UFF, autor de “O outro lado do jogo: futebol, poder e relações internacionais”, recém-lançado pela Editora da Ação da Cidadania. O livro aborda como a bola molda nações, mobiliza multidões e influencia a história. Ele diz que essa mística do nosso futebol começou a ser construída em 1938, com craques como Leônidas da Silva e Domingos da Guia na Copa da França, consolidando-se com o tricampeonato, em 1970, no México, e, principalmente, com o mito Pelé. “E isso não acaba da noite para o dia”, diz, otimista: “Só que, hoje, não temos mais aquela hegemonia da paixão dos torcedores de todo o mundo”. Para ele, outras seleções, “como a da Argentina, no bojo das conquistas recentes e do carisma de Messi, e algumas europeias, cada vez mais multiculturais e com jogadores geniais de diferentes origens, como Mbappé ou Yamal, disputam com o Brasil esse lugar”. Adriano reconhece, entretanto, que o prestígio do nosso futebol tem sido abalado não só pelo jejum de títulos da seleção, “mas também pelo fato de que, desde a última geração vitoriosa — a de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho —, não tenha aparecido um jogador que personifique a ‘cara’ do futebol brasileiro”. Freixo diz que “Neymar foi o que mais se aproximou disso”, mas as controvérsias dentro e fora de campo o fizeram fracassar. Em tempo... A Copa de 1938 foi vencida pela Itália, derrotando, na final, a Hungria por 4 a 2 e deixando o Brasil em terceiro lugar. Mas Leônidas da Silva (1913-2004), o “Diamante Negro” (foto), apelido que virou até marca de chocolate, foi o artilheiro da competição, com sete gols, e também foi escolhido o melhor jogador daquele Mundial, a ponto de ganhar o epíteto de “Homem Borracha”, criado pelo jornalista Raymond Thourmagem, da então prestigiosa revista “Paris Match”. Já Neymar... deixa pra lá.