Outros quatro suspeitos de integrar a mesma quadrilha já estão atrás das grades. A ação acabou com a morte de um policial civil, atingido por um tiro na cabeça 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nissan onde estavam os policiais atacados na comunidade do Muquiço — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 16:43 Polícia Identifica Suspeitos de Ataque que Matou Oficial no Rio A Polícia Civil identificou quatro suspeitos de atacar policiais da DHBF na Zona Norte do Rio, resultando na morte do oficial Carlos Alberto Freire Neto. O ataque ocorreu durante uma missão de inteligência. Apesar de ferido, Freire conduziu a viatura para proteger colegas. A operação resultou em prisões e apreensões. O corpo de Freire foi velado em Niterói. Um manifesto "Pacto pela Segurança" foi lançado para combater a violência no Rio. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Civil identificou quatro suspeitos de terem participado diretamente de um ataque a tiros contra policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que estavam em uma viatura descaracterizada, nesta quarta-feira, dia 8, na comunidade conhecida como Predinhos, próxima à Favela do Muquiço, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados. O oficial de polícia Carlos Alberto Freire Neto, de 35 anos, que dirigia o carro, foi atingido por um tiro na cabeça. Mesmo ferido, ele ainda conseguiu conduzir a viatura por cerca de 150 metros. O veículo desceu uma ladeira, atravessou duas pistas da Avenida Brasil e parou ao bater contra um muro na pista central da via expressa, no sentido Rio. Socorrido, ele não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. A manobra feita pelo policial pode ter ajudado a salvar as vidas dos outros três policiais que também estavam no carro descaracterizado (um Nissan branco). Uma agente foi atingida por um tiro na perna e passou por uma cirurgia. Os outros dois investigadores escaparam sem ferimentos. Disque-Denúncia divulgou cartaz pedindo informações sobre o crime — Foto: Reprodução Além dos quatro homens identificados que são investigados, outros quatro homens foram presos pela polícia no dia do crime, na mesma comunidade onde o ataque ocorreu. Dois foram capturados em flagrante por tráfico de drogas, e outros dois já estavam com as prisões decretadas pela Justiça por conta de outros delitos. Segundo investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), eles também são suspeitos de integrar a quadrilha responsável pelo tráfico no Muquiço e nos Predinhos. Na quarta-feira, a equipe da DHBF realizava um trabalho de inteligência e reconhecimento da área para uma futura ação de cumprimento de mandados, quando entrou na Rua da Jaqueira, que dá acesso à comunidade. Logo nos primeiros metros, uma placa afixada em um poste fazia uma advertência a quem entrava no local: "Atenção: abaixe os faróis, acenda a luz interna e abaixe os vidros", dizia o letreiro. Não se sabe se os policiais chegaram a notar a placa. Eles teriam manobrado o carro ao verificar, na altura de uma praça, que uma valeta com pneus, improvisada como barricada, impedia o acesso do veículo. Quando o carro já retornava em direção à Avenida Brasil, criminosos armados efetuaram disparos de pistola. Pelo menos quatro tiros atingiram o Nissan, segundo os indícios encontrados pela perícia. Nissan onde estavam os policiais atacados na comunidade do Muquiço — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo Uma viatura da Polícia Penal passava pela Avenida Brasil no momento dos tiros. Alertados pelos disparos, os agentes ajudaram os colegas e chegaram a trocar tiros com os traficantes responsáveis pelo ataque. A Polícia Civil divulgou uma nota na qual classificou o ataque sofrido pelos policiais como "covarde". Após o crime, uma operação de emergência foi realizada no local, com a participação de dezenas de agentes e apoio de dois helicópteros da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Os agentes apreenderam na comunidade uma espada, frascos vazios de lança-perfume e rádios de comunicação. Placa afixada num poste na entrada da rua que da acesso à comunidade — Foto: Marcos Nunes/Agência O GLOBO O delegado Carlos Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, esteve no local. Ele afirmou, na ocasião, que toda a corporação trabalhava para localizar os responsáveis. — Toda a polícia vai ficar empenhada nisso até capturar esses bandidos. Eles responderão criminalmente por isso — disse. Viaturas acompanham o transporte do corpo de Carlos Alberto Freire Neto até o Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, onde foi cremado. — Foto: Divulgação/Câmara de Vereadores de Niterói O tráfico no Muquiço e nos Predinhos é comandado por remanescentes da quadrilha de Bruno da Silva Loureiro, de 43 anos. Conhecido como Coronel, ele foi preso no mês passado no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, onde estava internado para tratar uma infecção. Chefe do tráfico na comunidade localizada entre Guadalupe e Deodoro, ele é acusado de ordenar execuções, controlar territórios da facção Terceiro Comando Puro (TCP) e figura em investigações de crimes marcados por extrema violência, entre eles o assassinato de uma jovem de 22 anos, espancada até a morte por se recusar a sair de um baile funk com o traficante. Horas depois do crime, o Disque-Denúncia (2253-1177) divulgou um cartaz com a foto do oficial de polícia, pedindo ajuda para encontrar os responsáveis pela morte do agente. O corpo do policial civil Carlos Alberto Freire Neto, de 35 anos, foi velado nesta quinta-feira, na Câmara Municipal de Niterói. Carlos era morador da cidade, pai de dois filhos e integrava, desde maio, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Antes disso, havia atuado na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo. No fim do ano passado, o agente recebeu uma homenagem na Câmara de Vereadores do município, "em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à segurança pública e à dedicação com que exerceu sua missão". Após a cerimônia, o corpo seguiu em cortejo para o Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, onde foi cremado. Por conta do crme, o diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia e da Federação Nacional dos Delegados de Polícia, Leonardo Affonso, lançou um manifesto denominado "Pacto pela Segurança", que propõe a união de diferentes setores da sociedade em torno de dez princípios para enfrentar a violência e o crime organizado no Rio de Janeiro. A iniciativa se apresenta como um movimento suprapartidário e busca reunir assinaturas de cidadãos, autoridades e representantes da sociedade civil. No documento, Leonardo Affonso afirma que a violência deixou de ser um problema restrito a determinados grupos sociais e passou a atingir toda a população, independentemente de posição política, condição econômica ou local de moradia. Entre as propostas apresentadas estão a valorização dos profissionais de segurança, a retomada de áreas dominadas por organizações criminosas, o fortalecimento das investigações técnicas, a integração entre as forças de segurança e o combate ao financiamento das facções criminosas.