Especialistas ouvidos pelo New York Times afirmam que ausência de recursos, como sistemas de defesa antimísseis, no Boeing 747-8 cria riscos potenciais em viagens internacionais O Air Force One, transportando o presidente Donald Trump, chega para a cúpula da Otan em Ancara, Turquia, na terça-feira, 7 de julho de 2026 — Foto: Abdullah Güçlü, Pool Photo via AP O novo Air Force One utilizado pelo presidente Donald Trump em sua viagem à Turquia nesta semana não conta com as mesmas contramedidas defensivas do modelo anterior, incluindo sistemas avançados de defesa antimísseis, segundo autoridades com conhecimento das adaptações feitas na aeronave ouvidas pelo New York Times. Especialistas ouvidos pelo jornal afirmaram que a ausência desses recursos no Boeing 747-8, doado pelo Catar, cria riscos potenciais em viagens internacionais. A preocupação ganhou força após o Serviço Secreto ter recomendado a Trump que deixasse Ancara na quarta-feira, a bordo do antigo Air Force One. O episódio ampliou o escrutínio sobre a pressão exercida por Trump para acelerar a adaptação da aeronave e colocá-la em operação no lugar da envelhecida frota presidencial. A Turquia, onde Trump participou de uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), faz fronteira com o Irã, que foi alvo de novos bombardeios americanos ao longo desta semana. O presidente republicano alegou que apenas retornou no antigo Air Force One para permitir que a nova aeronave partisse antes e fosse exibida a militares americanos em bases no exterior. Um ex-alto funcionário da Casa Branca ouvido pelo New York Times, porém, disse que, em situações envolvendo riscos à segurança, era comum que assessores presidenciais acabassem acatando as recomendações de militares e do Serviço Secreto para alterar os planos de viagem e reduzir ameaças potenciais. Parlamentares passaram a cobrar do governo informações sobre se a reforma, supervisionada pela Força Aérea ao longo do último ano, incluiu melhorias de segurança suficientes para proteger o presidente e as demais pessoas que viajam a bordo, entre elas assessores da Casa Branca, agentes do Serviço Secreto, jornalistas e convidados. Na véspera da viagem de Trump à Turquia, por exemplo, senadores democratas pediram esclarecimentos à Força Aérea sobre as modificações feitas na aeronave doada pelo Catar e questionaram se ela havia recebido todas as atualizações de segurança necessárias. Em carta liderada pelo senador Christopher Murphy e assinada por outros 12 democratas, eles afirmaram que as decisões do governo privilegiaram o conforto pessoal e as preferências de Trump em detrimento da segurança nacional. A Casa Branca não respondeu às perguntas específicas encaminhadas pelo New York Times sobre as capacidades da nova aeronave, mas defendeu sua segurança em nota enviada. "O novo Air Force One é uma aeronave de última geração equipada com protocolos de segurança de alto nível que garantem a proteção do presidente e de sua equipe", afirmou Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca. "Como o presidente afirmou recentemente, há muitos inimigos dos Estados Unidos que o têm como alvo, e utilizamos todas as ferramentas à nossa disposição para enfrentar essas ameaças”, acrescentou. A Força Aérea também se recusou a detalhar ao jornal os sistemas de segurança instalados no avião, que está sendo usado provisoriamente enquanto os novos Air Force One da Boeing não ficam prontos. Ao anunciar que a aeronave estava apta a transportar o presidente, no entanto, reconheceu que ela não contava com todos os equipamentos normalmente presentes em um Air Force One. Em comunicado divulgado em 19 de junho, a Força Aérea afirmou que "nenhum risco foi assumido em relação à segurança, à proteção ou às comunicações da missão", mas disse que optou por abrir mão de alguns "recursos de missão menos utilizados", que a Boeing deverá entregar para atender às necessidades dos próximos 40 anos, sem explicar a que equipamentos se referia. O presidente Donald Trump conversa com repórteres a bordo do Air Force One após pousar na Base Aérea de Mildenhall, em Suffolk, no leste da Inglaterra, na quarta-feira, 8 de julho de 2026 — Foto: AP/Alex Brandon Dois ex-integrantes da Força Aérea envolvidos no programa de substituição das antigas aeronaves presidenciais disseram ter se surpreendido com o uso do novo avião em uma viagem ao exterior, onde os riscos à segurança são maiores. Embora não tenham participado da adaptação do Boeing 747-8, eles afirmaram que o cronograma acelerado do projeto não teria permitido a instalação de todas as modificações de segurança normalmente presentes em um Air Force One. Frank Kendall, ex-secretário da Força Aérea, por sua vez, afirmou que o cronograma acelerado impediu a conclusão de todas as modificações normalmente feitas em um Air Force One, deixando de fora parte dos sistemas de segurança, comunicações e apoio. Segundo ele, o uso da aeronave fora dos Estados Unidos, em meio à escalada das tensões com o Irã, "pode ser motivo de preocupação". Na mesma linha, Andrew P. Hunter, ex-secretário-assistente da Força Aérea responsável pelo programa Air Force One durante o governo Joe Biden, também disse que uma adaptação completa de um Boeing 747 para transformá-lo em um Air Force One exigiria mais de um ano de trabalho. Ex-funcionários do Pentágono ainda explicaram ao New York Times que as antigas aeronaves que serviam como Air Force One eram equipadas com um sistema de defesa projetado para neutralizar mísseis guiados por calor e que um ponto de preocupação é o fato de que esses equipamentos não aparecem nas fotografias do novo avião do Catar. Apesar de serem usados raramente, os sistemas de defesa antimísseis do Air Force One sempre foram considerados um componente essencial de sua proteção. O Pentágono divulgou especificações dos novos Boeing atualmente em construção indicando que as aeronaves serão equipadas com um "sistema de autodefesa" e um "sistema de comunicações para missões", além de outras melhorias consideradas necessárias "para permitir que o presidente exerça suas funções como chefe de Estado, chefe do Executivo e comandante-em-chefe das Forças Armadas". O presidente Donald Trump desembarca do Air Force One ao chegar para a cúpula da Otan em Ancara, Turquia, na terça-feira, 7 de julho de 2026 — Foto: Abdullah Güçlü, Pool Photo via AP
Novo Air Force One usado por Trump não possui recursos defensivos do modelo anterior
Especialistas ouvidos pelo New York Times afirmam que ausência de recursos, como sistemas de defesa antimísseis, no Boeing 747-8 cria riscos potenciais em viagens internacionais











