Kiev intensificou ofensivas contra infraestrutura energética russa, incluindo grandes refinarias, na tentativa de enfraquecer o esforço de guerra de Moscou Veículos fazem fila para abastecer em um posto de gasolina da Rosneft, enquanto, segundo autoridades locais, alguns postos de gasolina regionais enfrentam escassez de combustível devido a cortes na produção de grandes refinarias, em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia em Rostov-on-Don, Rússia , 29 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Sergey Pivovarov/Foto de Arquivo A produção de gasolina da Rússia caiu para um nível equivalente a apenas cerca de 65% do consumo médio sazonal depois que ataques de drones ucranianos provocaram a paralisação de grandes refinarias de petróleo, segundo duas fontes do setor e cálculos da Reuters. A Ucrânia intensificou seus ataques contra a infraestrutura energética da Rússia, incluindo grandes refinarias, na tentativa de enfraquecer o esforço de guerra de Moscou. Com a escassez de combustível e motoristas formando filas para abastecer seus veículos, cossacos — grupos tradicionalmente ligados à segurança e ao apoio às forças policiais na Rússia que, nos últimos anos, vêm sendo usados para auxiliar as forças policiais — passaram a ajudar na manutenção da ordem em alguns postos de combustíveis. Os danos provocados pelos ataques interromperam as operações de diversas refinarias, incluindo as de Norsi e Omsk, as duas maiores produtoras de gasolina do país. Outra importante produtora, a refinaria de Saratov, também foi obrigada a interromper a produção, disseram fontes do setor. Uma imagem de satélite mostra os danos na refinaria de petróleo de Omsk após um ataque com drone, Rússia , 7 de julho de 2026 — Foto: Vantor/Divulgação via REUTERS As fontes, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar publicamente, afirmaram que a produção de gasolina ficou entre 40 mil e 45 mil toneladas por dia abaixo do necessário para esta época do ano, quando o clima de verão eleva a demanda por combustíveis, o equivalente a um déficit de cerca de 35%. Em junho, esse déficit diário era de 25%. Segundo as fontes, a demanda diária por gasolina na Rússia gira em torno de 115 mil a 120 mil toneladas durante o pico do consumo no verão. O Ministério da Energia da Rússia não respondeu a um pedido de comentário. Governo tenta conter a escassez Entre as medidas propostas pelo governo de Vladimir Putin para enfrentar a escassez de combustíveis estão as proibições às exportações de diesel, gasolina e combustível de aviação. A Rússia também começou a importar combustíveis. As exportações de gasolina e diesel de Belarus para a Rússia atingiram um recorde mensal em junho, enquanto fontes do setor disseram na semana passada que o país iniciou as importações marítimas de gasolina da Índia. Segundo operadores do mercado, até 6 mil toneladas de gasolina por dia estão sendo enviadas de Belarus para a Rússia. Os estoques também estão sendo utilizados. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak afirmou durante uma reunião do governo transmitida pela televisão na quarta-feira que a situação do abastecimento de combustíveis continua complexa e que "está claro que a situação atual nos postos de combustíveis está causando preocupação entre a população". Há longas filas em postos de combustíveis em diversas regiões da Rússia. Na cidade turística de Anapa, às margens do Mar Negro, cossacos têm ajudado a manter a ordem. Vestindo uma camisa branca e um chapéu de pele preto, Yuri Komarov afirmou que tentava garantir que as pessoas abastecessem seus veículos da forma mais eficiente possível. "O objetivo é evitar o caos e garantir que os motoristas se distribuam normalmente entre as bombas de combustível", disse Komarov à Reuters. Segundo ele, a divulgação das notícias sobre a escassez alterou o comportamento dos consumidores, agravando a situação. "Veja, antes as pessoas iam ao posto e abasteciam 10 litros. Agora enchem o tanque inteiro, por precaução. Acho que essa é a razão para todo esse alvoroço. Não vejo outra explicação", afirmou. Fontes do setor disseram que a situação do mercado de combustíveis deverá melhorar na segunda metade de julho — desde que não ocorram novos ataques contra refinarias —, à medida que as refinarias retomem as operações e as importações de combustíveis aumentem.