Uma pesquisa Datafolha de abril indicava que a avaliação negativa do governo Lula (PT) chegou a 40%, enquanto a positiva recuou para 29%. Assim como outros eventos, essa queda de popularidade não pode ser simplificada por um único fator. No entanto, há um conceito que ajuda a entender esse movimento: a Janela de Overton.
Criado nos anos 1990 pelo analista político Joseph Overton, esse conceito considera que existe um limite para o que é socialmente aceitável, uma régua que vai do impensável ao popular. O ponto central está na volatilidade dessa movimentação: ideias antes aceitáveis podem, com o tempo, passar a ser vistas como radicais. O contrário também ocorre.
A agenda woke é um exemplo claro desse deslocamento. O movimento ganhou força nos Estados Unidos a partir dos anos 2010, especialmente com marcos como o Black Lives Matter, e rapidamente se expandiu. O que começou como uma pauta de consciência racial passou a incorporar temas como diversidade, equidade, inclusão, gênero e justiça social.
No auge, essa agenda ultrapassou o campo político e chegou ao ambiente corporativo. Empresas passaram a adotar metas de diversidade e critérios de ESG, vinculando essas pautas à reputação e ao desempenho. O que era considerado radical tornou-se sensato e, em muitos casos, desejado.







