Consultoria elevou projeção de 55% para 60% ao avaliar que a recuperação da aprovação reduziu riscos para a candidatura, mas ainda vê fatores que limitam um favoritismo mais amplo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial, no Palácio do Planalto — Foto: Adriano Machado/Reuters A redução recente da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pesquisas mais recentes não impediu a Eurasia Group de concluir que o petista está hoje em uma posição mais favorável do que há um ou dois meses. A consultoria elevou de 55% para 60% sua estimativa para as chances de vitória de Lula, ao avaliar que a recuperação antecipada de sua aprovação reduziu riscos para sua candidatura. Ainda assim, a Eurasia mantém uma visão cautelosa em sua estimativa, ao mencionar o pessimismo dos eleitores, o desgaste do longo período do PT no poder e a vantagem da oposição em temas como segurança pública, como fatores que ainda limitam as chances de reeleição do petista. “Desde o vazamento, em 13 de maio, do áudio da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que é alvo de investigação, os mercados de apostas e analistas políticos passaram a considerar Lula como favorito à reeleição”, observam os analistas Christopher Garman, Silvio Cascione e Raul Folino. Eles chamam atenção, inclusive, para uma pesquisa da Eurasia com sua base de clientes, em que a parcela dos entrevistados que vê Lula como favorito subiu de 47% no início de maio para 80%. No cenário base da Eurasia, Lula aparece com 60% de chance de vitória em outubro contra 30% de Flávio e 10% de algum outro nome. A consultoria também trabalha com 70% de probabilidade de o segundo turno ser entre Lula e Flávio contra 30% de chance de a disputa se dar entre Lula e outro candidato opositor. Caso o cenário mais provável de segundo turno se confirme, a consultoria atribui 60% de chance de reeleição de Lula contra 40% de possibilidade de Flávio se eleger. E, em um cenário alternativo, de Lula contra outro opositor, o petista apareceria com 55% de chance de vitória, de acordo com a Eurasia, contra 45% de probabilidade de eleição de outro candidato da oposição. Os analistas da consultoria política já esperavam uma recuperação da aprovação de Lula. Isso, porém, aconteceu antes do previsto. Entre os motivos, está uma série de programas do governo como a isenção do Imposto de Renda (IR) para famílias de classe média; auxílio para compra do gás de cozinha; subsídios na conta de energia elétrica para famílias de baixa renda; o Desenrola 2.0; e a promessa de aprovar a redução da jornada de trabalho. “Essa vantagem típica dos incumbentes sempre foi, segundo a Eurasia Group, o principal motivo para considerar Lula um favorito moderado”, dizem os analistas, ao também apontarem que a recuperação da popularidade também foi favorecida por um ambiente de notícias mais positivo, com uma diminuição de manchetes relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. Na avaliação da Eurasia, no momento atual da disputa, índices de aprovação mais elevados reduzem os riscos negativos para Lula “e são um indicador mais importante do resultado eleitoral do que as próprias intenções de voto antes do início oficial da campanha”. Além disso, ao avaliar as pesquisas de intenção de voto em um possível segundo turno, a consultoria observa que Lula ainda mantém vantagem média de 3 pontos sobre Flávio. “O fato de Lula continuar liderando todos os cenários de segundo turno reforça suas chances de vitória”, apontam os analistas. Eles, porém, continuam a apontar que diversas vulnerabilidades ainda limitam as chances de Lula. “As pesquisas mostram que os eleitores continuam bastante pessimistas em relação ao futuro. A idade de Lula e o longo período do PT no poder continuam sendo fatores que pesam contra sua candidatura”, avaliam os profissionais da Eurasia. Eles também observam que modelos eleitorais que se concentram nos temas considerados prioritários pelos eleitores, como segurança pública e corrupção, ainda apontam vantagem para a oposição. “Em cerca de 80% dos casos, o candidato mais bem posicionado no tema considerado mais importante pelos eleitores acaba vencendo a eleição”, dizem. “É pouco provável que Flávio Bolsonaro seja visto como mais crível do que Lula no tema da corrupção, mas quase certamente será percebido como mais confiável quando o assunto é segurança pública. No conjunto, os diferentes modelos de previsão continuam apontando em direções distintas, o que, segundo a Eurasia Group, recomenda cautela ao tratar Lula como favorito na disputa eleitoral”, enfatizam os analistas.