No seguro residencial, consumidores são mais velhos, já que seis em cada dez têm 46 anos ou mais Classe C do Sudeste concentra maior parcela dos consumidores de seguros de automóvel, mostra pesquisa — Foto: Tumisu/Pixabay O brasileiro que mais contrata seguro de automóvel hoje é homem, mora no Sudeste, pertence à classe C e tem entre 36 e 55 anos, faixa que reúne 55% dos segurados. No seguro residencial, o perfil muda um pouco. Os consumidores são mais velhos, já que seis em cada dez têm 46 anos ou mais, com predominância da faixa entre 56 e 65 anos. Assim como no automóvel, a maior parte dos segurados mora no Sudeste e pertence à classe C, embora a distribuição por renda seja mais equilibrada, com participação relevante também das classes D e B. Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita produzida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e antecipada ao Valor. O estudo foi elaborado pela Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg com base em informações fornecidas por seguradoras que representam cerca de 56% do mercado analisado, sendo 76% do segmento de danos e responsabilidades e 24% do segmento de capitalização. A pesquisa aponta predominância masculina entre os consumidores dos dois produtos. No seguro de automóvel, 51% dos segurados são homens, 42% são mulheres e o restante se enquadra em “gênero não declarado” ou “outros gêneros”. No residencial, 50% dos consumidores são homens e 43% são mulheres. Mesmo sendo um dos seguros com maior índice de penetração no país, a taxa de cobertura do seguro de automóvel ainda é considerada baixa. Dados cruzados pela CNseg com informações da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que apenas 29% da frota nacional possui seguro. Em dezembro de 2024, o Brasil possuía cerca de 63,3 milhões de automóveis, mas somente aproximadamente 18 milhões estavam segurados, diz a entidade. Em termos regionais, o Sudeste concentra 53% dos consumidores desse tipo de produto, seguido pelo Sul (16%) e Centro-Oeste (15%). Segundo a CNseg, o comportamento acompanha a distribuição da frota nacional, mas também reflete diferenças de renda e acesso ao crédito entre as regiões. O levantamento mostra ainda que a maior parte dos veículos segurados no país possui valor de até R$ 70 mil, faixa que representa 46% da carteira analisada. Outros 27% possuem valor entre R$ 71 mil e R$ 100 mil. Residencial No seguro residencial, o perfil de renda é mais distribuído. Cerca de 31% dos clientes pertencem à classe C, enquanto 27% estão na classe D e 21% na classe B. O sudeste também lidera a contratação desse tipo de produto, concentrando 56% dos clientes, seguido pelo Sul (15%), Nordeste (13%), Centro-Oeste (11%) e Norte (5%). Os dados indicam ainda que o seguro residencial segue distante da maior parte da população brasileira. Segundo estimativas utilizadas pela CNseg, com base no Censo do IBGE e dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), apenas 17% das residências brasileiras possuem esse tipo de proteção. O levantamento chama atenção para o fato de que mesmo regiões frequentemente afetadas por eventos climáticos extremos, como o Sul, ainda apresentam baixa cobertura securitária residencial, diz Alexandre Leal, diretor técnico, de estudos e relações regulatórias da CNseg. Para ele, o chamado “gap de proteção” representa simultaneamente um desafio econômico e uma oportunidade estrutural de expansão do mercado segurador brasileiro. “Quando observamos que apenas 17% das residências brasileiras possuem seguro e que menos de um terço da frota nacional está protegida, fica evidente que existe um espaço importante de vulnerabilidade patrimonial das famílias. Ao mesmo tempo, isso mostra o tamanho do potencial de crescimento do setor e a necessidade de ampliar o acesso à proteção financeira no país”, diz em nota. Segundo Leal, o setor tem avançado na discussão de produtos voltados principalmente para a classe C, com soluções mais acessíveis, ampliação de canais digitais e fortalecimento da educação financeira. Capitalização O levantamento indica que produtos de menor desembolso, como títulos de capitalização, conseguem hoje alcançar consumidores de renda mais baixa. Cerca de 38% dos clientes pertencem à classe E e outros 24% à classe D. A distribuição regional da capitalização também é menos concentrada. O Sudeste representa 30% dos clientes, seguido pelo Sul (25%), Nordeste (19%), Centro-Oeste (15%) e Norte (11%). “O comportamento sugere que os títulos de capitalização vêm funcionando como uma porta de entrada para produtos financeiros e de proteção entre famílias de renda menor, especialmente devido ao baixo valor médio de contribuição mensal”, destacou Leal. Quase metade dos consumidores possui contribuições mensais de até R$ 300. Ao mesmo tempo, 55% dos títulos possuem sorteios médios de até R$ 70 mil.