Segundo a Comissão Europeia, os “reels” e “stories” do Facebook e do Instagram podem contribuir para o uso excessivo ou compulsivo; Meta discorda e diz que continuará a colaborar com os reguladores europeus A União Europeia acusou nesta sexta-feira (10) a Meta , controladora do Instagram e do Facebook, de violar suas regras de tecnologia, com reguladores mirando recursos que, segundo eles, foram projetados para manter os usuários engajados de forma excessiva e exigindo mudanças em funcionalidades como reprodução automática e rolagem infinita, sob risco de multas. As conclusões preliminares da Comissão Europeia são resultado de uma investigação de dois anos conduzida sob a Lei de Serviços Digitais (Digital Services Act, DSA) da União Europeia, que exige que grandes plataformas on-line façam mais para combater conteúdos ilegais e prejudiciais. As empresas de redes sociais enfrentam um escrutínio crescente em todo o mundo diante de preocupações de que suas plataformas estejam contribuindo para uma crise de saúde mental entre crianças, levando alguns governos a impor ou considerar proibições para usuários menores de idade. A Comissão, órgão regulador de tecnologia da UE, afirmou que a Meta falhou em avaliar adequadamente os riscos de dependência associados a recomendações altamente personalizadas, à reprodução automática e à rolagem infinita, mecanismos que fornecem continuamente novos conteúdos aos usuários e incentivam um engajamento prolongado. Segundo a Comissão, os “reels” e “stories” do Facebook e do Instagram podem contribuir para o uso excessivo ou compulsivo. O regulador criticou as medidas adotadas pela Meta para mitigar esses riscos, afirmando que as ferramentas de gerenciamento de tempo podem ser facilmente ignoradas, enquanto os controles parentais exigem tempo, esforço e conhecimento técnico significativos para serem utilizados de forma eficaz. A Comissão afirmou que a Meta deveria desativar, por padrão, recursos como a reprodução automática e a rolagem infinita, introduzir pausas efetivas no tempo de tela e tornar seu sistema de recomendações menos focado em impulsionar o engajamento. Meta discorda das acusações “Discordamos dessas conclusões preliminares, que não levam adequadamente em consideração as medidas significativas que adotamos para proteger os adolescentes”, disse o porta-voz da Meta, Ben Walters. “Desde o início desta investigação, lançamos as contas para adolescentes, que protegem automaticamente os adolescentes e colocam os pais no controle, permitindo que eles bloqueiem o acesso ao Instagram durante a noite e limitem o tempo diário de tela a apenas 15 minutos”. A Meta acrescentou que continuará a colaborar de maneira construtiva com os reguladores europeus. “Nosso ponto de partida é que, com base em nossas conclusões, esse design é excessivamente viciante e mudanças precisam ser feitas”, disse à Reuters a chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen. “O próximo passo é que a Meta altere seu design ou, caso contrário, uma decisão de descumprimento será tomada.” A Meta, que corre o risco de receber uma multa de até 6% de seu faturamento anual global, poderá responder às acusações antes que a Comissão emita uma decisão final nos próximos meses. No mês passado, a empresa fracassou em sua tentativa de rejeitar alegações apresentadas por procuradores-gerais de 29 Estados dos EUA de que Facebook e Instagram são viciantes para crianças. As acusações da UE contra a Meta refletem as apresentadas contra o TikTok em fevereiro, quando os reguladores exigiram mudanças semelhantes em seu aplicativo. A Comissão também investiga separadamente os chamados efeitos de “toca do coelho” provocados pelos sistemas de recomendação do Facebook e do Instagram, nos quais usuários podem ser levados a consumir conteúdos por períodos prolongados devido a recomendações algorítmicas que os direcionam para conteúdos semelhantes. Em outro caso anunciado em abril, o órgão determinou que a Meta faça mais para impedir que crianças menores de 13 anos tenham acesso às suas redes sociais, sob risco de multas. A Comissão deverá receber na segunda-feira conclusões de especialistas que poderão ajudar a abrir caminho para uma proibição das redes sociais para adolescentes em toda a Europa, medida que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá anunciar em seu discurso sobre o estado da União em setembro. — Foto: Tiffany Hagler-Geard/Bloomberg
UE diz que Instagram e Facebook devem mudar recursos considerados viciantes ou enfrentar multas
Segundo a Comissão Europeia, os “reels” e “stories” do Facebook e do Instagram podem contribuir para o uso excessivo ou compulsivo; Meta discorda e diz que continuará a colaborar com os reguladores europeus












