Uma nova coleção quer distribuir livros que foram censurados, incinerados ou recolhidos por diferentes regimes autoritários ao longo da história. É a Biblioteca Insubmissa, idealizada pela Ímã Editorial em um modelo de clube de assinatura.

A cada dois meses, pelo valor de R$ 99 sem frete, os assinantes recebem dois livros: um que foi alvo de censura, em capa dura e projeto gráfico caprichado, e outra obra relevante de tema correlato.

Segundo o editor Julio Silveira, a proposta do projeto, "além de resgatar essas pérolas, é ir contra a corrente da caretice e da sanha de censura que vivemos hoje".

Para se ter uma ideia, o primeiro livro distribuído foi "La Garçonne: A Mulher Livre", romance dos anos 1920 sobre uma mulher que se rebela ao flagrar a traição do noivo antes do casamento —ela decide romper com ele e se deitar com quem quiser.

O autor, o militar V. Margueritte, foi excomungado pela Igreja e desonrado pelo Estado. A obra chegou aos leitores acompanhada de "A Vagabunda", clássico feminista da virada do século 20 escrito por Colette.