Desde a sua infância na Inglaterra, Olise já afirmava que queria jogar pela seleção da França, segundo reportagem do L'Équipe 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O atacante francês Michael Olise — Foto: FRANCK FIFE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 18:46 Michael Olise: Timidez Confundida com Arrogância na França Michael Olise, jogador da seleção francesa nascido na Inglaterra, é frequentemente visto como arrogante, mas antigos professores revelam que ele é apenas muito tímido. Desde criança, Olise demonstrava foco em esportes e já pretendia jogar pela França. Sua personalidade reservada e avessa a holofotes é confundida com prepotência. O jogador, filho de pai nigeriano e mãe franco-argelina, escolheu a França desde cedo, apesar das críticas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Muitas vezes apontado como arrogante, debochado, ou até suscitando teorias de que seria autista, Michael Olise, um dos craques da França na Copa do Mundo, é apenas "muito tímido". A explicação é de Rachel Anderson, diretora da escola primária Dr Triplett's Church of England, em Hayes, cidade onde o jogador nasceu e cresceu na Inglaterra. Seu foco, dizem antigos professores dele entrevistados pelo jornal francês L'Équipe, estava quase totalmente voltado aos esportes. Olise já dizia, inclusive, que ao crescer iria defender a seleção francesa. A reportagem do L'Équipe foi até Hayes, subúrbio do oeste de Londres, onde os pais de Olise ainda moram, para contar os primeiros passos do atual jogador do Bayern de Munique. A fama de "marrento", "blasé" ou até "arrogante" existe principalmente porque ele foge do padrão de um astro do futebol. Avesso a entrevistas e a grandes exposições nas redes sociais, Olise ostenta hábitos considerados esquisitos, como raramente comemorar gols efusivamente, ou não esconder seu tédio durante eventos e ações promocionais. Uma das comemorações que ele gosta de usar é tampando um dos olhos e um dos ouvidos. Ele nunca explicou exatamente a origem do gesto, mas muitos torcedores o associam à personalidade introvertida do jogador. A personalidade de Olise é tema de muita discussão no mundo dos esportes. Há quem jure, por exemplo, que o jogador teria desenvolvido, propositalmente, um tipo de personagem. E já teria se perdido nesse universo. Mas os relatos de Anderson e outros professores na matéria do L'Équipe desmontam essa versão. — Fico irritada quando dizem que ele é displicente ou arrogante. Ele é apenas muito tímido — explicou Rachel Anderson, na matéria do L'Équipe. — Ele nunca levantava a mão na sala porque jamais quis chamar atenção para si. Baixava a cabeça, fazia o que precisava fazer e corria para o campo. O futebol já era tudo para ele, era o mundo inteiro dele. Comemoração de Olise — Foto: Marco BERTORELLO / AFP Seus "hábitos esquisitos" vistos hoje nos gramados já aconteciam nas quadras do colégio, complementa. — Quando as outras crianças iam buscar suas medalhas, ele ficava de lado. Quando alguém o parabenizava por um gol, colocava o dedo sobre os lábios e corria de volta para sua posição olhando para o chão — disse Anderson, que disse que a "expressão dele não mudou", quando o vê pela televisão. Segundo a diretora da escola, Olise era um bom aluno, especialmente em matemática e ciências, embora menos talentoso na escrita. Já nos esportes era perfeccionista. — Mas se seu time não vencia no recreio ou se algo acontecia durante a partida, era muito difícil fazê-lo se concentrar novamente. Ele queria voltar para fora e corrigir as coisas. Já era um grande perfeccionista, alguém que se frustrava facilmente, um futuro campeão — afirmou Anderson. Enquanto sofre críticas de torcedores pela sua suposta "marra", jogadores e técnicos costumam defender Olise. O ídolo francês Thierry Henry, por exemplo, já disse que "as pessoas não entendem Michael" e explicou que ele simplesmente é diferente da maioria dos jogadores: muito reservado diante de microfones e câmeras, mas com uma visão muito particular da vida e da carreira. Gols olímpicos com as duas pernas Outro professor da infância de Olise entrevistado pelo L'Équipe foi Daniel Coker, que o ensinou matemática e depois, como professor de Educação Física, acompanhou o desenvolvimento do talento do jovem. — Ele tinha seis anos quando alguém veio me dizer: "Você viu esse menino? Ele é diferente, vai fazer coisas especiais". Eu o observei e percebi imediatamente que se destacava no futebol, mas também em todos os esportes que conhecia. E no críquete então, que jogador! Era um verdadeiro atleta completo. Vi uma partida extraordinária dele por nós um dia, uma loucura absoluta. Ele tinha uma coordenação acima da média, como se enxergasse tudo antes dos outros. Tudo parecia fácil para ele; tinha mais tempo do que os demais e conseguia ditar o ritmo de tudo. Coker ainda lembrou outros episódios marcantes, como um dia em que ele fez dois gols olímpicos: um com a perna esquerda e outro com a perna direita. Na infância, enquanto jogava pelo clube local Hayes & Yeading United, antes de ir para o Chelsea, Olise enfrentou diversas vezes Bukayo Saka, que jogava no Greenford Celtic antes de ir para o Arsenal. Além do futebol, Olise também se destacava no críquete, esporte que era praticado pelo seu pai. Escolha pela França veio cedo Além da personalidade diferenciada, outra polêmica que cerca a carreira de Olise é sua escolha de defender a seleção francesa. Nascido na Inglaterra, filho de pai nigeriano e mãe franco-argelina, ele poderia escolher entre quatro seleções. Mas os professores dizem que, desde a infância, ele já havia decidido que ia defender as cores da França. Durante a juventude, Olise visitava a França e sua mãe sempre fez questão de falar francês com ele. Apesar disso, vídeos que mostram ele falando francês com muito sotaque já foram usados para criticar sua escolha de nacionalidade. Dez anos depois, muitos moradores ainda tentam convencer seus pais a trazê-lo de volta a Hayes, diz o L'Équipe. — Sabemos que ele jamais vai querer uma cerimônia ou discursar diante de muita gente, mas ninguém o esqueceu aqui. Ele é o nosso Michael — conclui Rachel Anderson, que vai torcer pela França, por causa de Olise, mesmo se houver uma final contra a Inglaterra.
Timidez, arrogância ou marra? professores de Olise na infância explicam personalidade do jogador
Desde a sua infância na Inglaterra, Olise já afirmava que queria jogar pela seleção da França, segundo reportagem do L'Équipe











