Pedido do dono do Banco Master foi feito ao publicitário Thiago Miranda, alvo de busca e apreensão na 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu que fosse feito um levantamento sobre o CEO do Banco Itaú, Milton Maluhy Filho, porque o empresário estaria “causando muito problema”. O diálogo consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na tarde desta quinta-feira (9). O pedido de dossiê, segundo a investigação da PF, foi feito ao publicitário Thiago Miranda, ligado a Vorcaro, que está preso desde março. Miranda foi alvo de busca e apreensão autorizada por Mendonça na operação desta quinta-feira. A nova fase da Compliance Zero apura a atuação em redes sociais contra o Banco Central e para a intimidação de jornalistas. “Nos diálogos identificados, Daniel Vorcaro envia as seguintes mensagens a Thiago Miranda: ‘Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy (...) Está me causando muito problema. Me ajuda nisso?’”, diz trecho da decisão de Mendonça. Ainda segundo a decisão, dados do CEO do Itaú circularam nas conversas entre Vorcaro e Miranda. “Dentre os materiais compartilhados, destaca-se um documento contendo informações pessoais e patrimoniais” de Maluhy e de familiares. Segundo a PF, há indícios de que foi criado um documento intitulado “Família Maluhy Relatório sobre Execução Fiscal - Caso Milton Maluhy Filho”, em que haveria um aviso de que o material contém “informações confidenciais”. Uma das conversas sugere que Miranda teria vazado informações sobre o CEO do Itaú. “Sua mensagem literal foi: ‘Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo”, diz a decisão, que não traz mais detalhes sobre o episódio. Outros diálogos obtidos pela PF mostram insatisfação de Miranda e Vorcaro em relação a reportagens da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que abordaram investigações sobre a instituição financeira devido a operações fraudulentas e manipulação de preços. Após as reclamações do ex-banqueiro, o publicitário afirmou que iria "revirar a vida" da jornalista com o objetivo de tentar intimidá-la, e depois informa a Vorcaro que nada encontrou. Na época, O Globo soltou uma nota repudiando a devassa ordenada pelo investigado na vida da jornalista. Os mandados de busca e apreensão autorizados por Mendonça foram cumpridos no Distrito Federal. “A PF deflagrou a 10ª fase para apurar indícios de atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil”, disse a PF em nota. “As investigações apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais”, prossegue. O Valor entrou em contato com as defesas de Vorcaro e de Miranda e aguarda resposta. Já o Itaú Unibanco informou que não vai comentar o assunto. O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy — Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg