Após Belém do Pará, ano passado, transformar seus motéis em hotéis para comportar toda a gente que chegava à COP30, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que ele e seus patrícios ficaram contentes em voltar para casa, “sobretudo daquele local onde estávamos”.

Não foi o primeiro visitante a se incomodar nessas bandas. Em Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus, o paraense Benedito Nunes, morto em 2011, e o manauara Milton Hatoum recorrem a uma série de escritores, locais e estrangeiros, para refletir sobre suas cidades natais. Euclides da Cunha, citado por Hatoum, reclamou que a capital do Amazonas era “ruidosa (…), mal-arranjada, monstruosa e opulenta”.

Crônica de Duas Cidades não é bem um livro de crônicas. Constitui-se de dois ensaios que contam a história de urbanização de Belém e Manaus. Elucida arquitetura, política e o que mais estivesse em jogo em momentos cruciais dos séculos XVIII, XIX e XX, oferecendo uma linha do tempo que dá sentido histórico às duas cidades.

Pode-se entender como se originou um dos maiores eventos religiosos do mundo, o Círio de Nazaré. Ou descobrir que a palavra “bonde” vem de um mister inglês chamado James Bond, xará do herói 007 dos filmes, que foi o primeiro, em Belém, a obter concessão para prestar o serviço de disponibilizar carros puxados a burro.