No bairro de Alexandra, em Johanesburgo, um repórter da Reuters viu manifestantes arrombando portas e entrando em casas onde acreditavam que imigrantes sem documentos estavam escondidos Pessoas marcham enquanto manifestantes anti-imigração vão de porta em porta em busca de estrangeiros sem documentos para levá-los à polícia, após o prazo não oficial de 30 de junho, estabelecido por grupos anti-imigração para que imigrantes sem documentos deixassem o país, ter expirado, no bairro de Alexandra, África do Sul , em 9 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Oupa Nkosi Grupos de sul-africanos contrários à imigração retiraram estrangeiros de suas casas em Johanesburgo nesta quinta-feira e os entregaram à polícia, em um endurecimento dos protestos que têm espalhado medo em comunidades e tensionado relações com alguns países. No bairro de Alexandra, em Johanesburgo, um repórter da Reuters viu manifestantes arrombando portas e entrando em casas onde acreditavam que imigrantes sem documentos estavam escondidos. Eles escoltaram as pessoas até viaturas da polícia, de onde foram levadas embora, incluindo uma mulher e uma criança pequena do Maláui. Outro homem detido pelos manifestantes disse à Reuters que estava legalmente no país. "Sou portador do ZEP", disse o cidadão zimbabuano Total Mhlanga, em referência ao Zimbabwean Exemption Permit, que permite que dezenas de milhares de cidadãos do Zimbábue vivam e trabalhem na África do Sul. Em Soweto, manifestantes anti-imigração marcharam pela cidade carregando bastões e bandeiras, com planos de procurar imigrantes sem documentos. Vários dos panfletos dos protestos desta quinta-feira anunciavam uma "marcha pacífica" seguida de ação "porta a porta". Outra marcha ocorreu em Durban, na costa leste. A África do Sul, onde milhões de pessoas estão desempregadas, viu uma onda de sentimento anti-imigração nos últimos meses, que culminou em protestos nacionais em 30 de junho, prazo informal estabelecido para que imigrantes sem documentos deixassem o país. A líder mais proeminente do movimento, a ex-apresentadora de rádio Jacinta Ngobese-Zuma, disse naquele dia que os protestos ocorrerão todas as quintas-feiras até que as reivindicações sejam atendidas. Seu grupo, March and March, retrata os imigrantes sem documentos como a causa dos problemas econômicos da África do Sul e exige controles de fronteira mais rígidos, deportação em massa e prioridade para sul-africanos em escolas e centros de saúde. "Estamos andando por aí, indo de porta em porta e retirando estrangeiros", disse o líder comunitário Bongani Msomi durante a marcha em Alexandra. O presidente Cyril Ramaphosa alertou contra atribuir a culpa aos imigrantes por problemas estruturais, e seu governo disse repetidamente aos cidadãos que eles não têm o direito de assumir por conta própria a fiscalização migratória. Manifestantes anti-imigração marcham após o prazo não oficial de 30 de junho, estabelecido por grupos anti-imigração para que imigrantes indocumentados deixassem o país, em Soweto, Joanesburgo, África do Sul , em 9 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Oupa Nkosi A polícia intensificou as prisões de imigrantes sem documentos em resposta aos protestos e também mobilizou agentes durante marchas recentes por segurança. Um porta-voz da polícia de Johanesburgo não estava imediatamente disponível para comentar as ações dos manifestantes ou dos policiais no local. O governo do Maláui disse nesta quinta-feira que mais de 38 mil de seus cidadãos retornaram da África do Sul nas últimas semanas, como parte de um amplo esforço de repatriação por motivos de segurança. Mais de 60 mil também retornaram ao vizinho Zimbábue.