Sobre o futuro da operação em São Paulo, comando diz que o grupo aguarda o aval do Cade acerca do aporte da American Airlines na Azul Segundo o comando, a Azul tem posição forte de caixa, e liquidez não vai ser problema para os próximos anos. — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo O presidente da Azul, Abhi Shah, afirmou, nesta quinta-feira (9), que a redução de capacidade da Azul diante da reestruturação tem sido positiva frente ao desafio criado pela crise do petróleo. Antes, a aérea tinha previsão de elevar sua oferta de assentos em 1% neste ano contra o ano passado. Agora, a estimativa é de um corte de oferta de 4,8%. “Estamos com um nível menor de crescimento. Isso tem sido bom para criar resiliência no negócio. Estamos felizes por ter feito isso, sobretudo com o preço do petróleo. Quando você tem 11% de crescimento, você pega toda demanda que vem. Aqui, somos mais seletivos”, disse o executivo durante o Azul Day, em Nova York. Antonio Carlos Garcia, CFO da Azul, destacou os esforços da empresa para reduzir sua alavancagem. Hoje, o indicador está na casa de 2,5 vezes. A meta é levar para abaixo de 1,5 vez até 2029. “(Ter a alavancagem abaixo de 1,5) ajuda a gente a navegar por períodos de instabilidade”, disse Garcia. O executivo disse ainda que a empresa tem uma posição forte de caixa, e que liquidez não vai ser um problema para os próximos anos. Fabio Campos, vice-presidente institucional da Azul, lembrou os passos do governo na direção de ajudar o setor aéreo. “Não é um suporte imediato ou momentâneo. O governo entendeu que precisa ajudar as aéreas”, observou. Ainda conforme Campos, o recurso vai ser importante ao colaborar para a Azul a reduzir sua exposição ao dólar. Entre as linhas aguardadas está o Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), que vai ser usado como garantia para crédito. Concorrência com a Latam Os executivos foram questionados sobre a competição com a Latam, agora que a concorrente também encomendou aeronaves E2 da Embraer e que podem ser usadas em rotas regionais. A Latam ainda não anunciou as rotas a serem operadas pelas aeronaves. A estimativa é começar a operação no fim do ano. “Fizemos uma aposta nesse avião dez anos atrás. O E2 é um avião grande. Ele não é um avião regional. O ATR é regional”, disse John Rodgerson, CEO da Azul. “Eles (Latam) são competidores racionais no mercado e achamos que eles vão continuar assim”, disse. Operação em São Paulo Questionado por analistas sobre o futuro para a operação em São Paulo, Shah disse que o grupo aguarda o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acerca do aporte da American Airlines na Azul. O tema está hoje sob avaliação da Superintendência Geral do Cade. “Com a aprovação do Cade, podemos ter um codeshare com a American em Guarulhos”, disse Shah. Os executivos deixaram ainda a porta aberta para parceiras em outros terminais, uma vez que, antes da pandemia, a American voava com mais força para outras regiões no Brasil e, desde então, resolveu concentrar mais seu negócio em Guarulhos. O Azul Day foi realizado no prédio da Bolsa de Nova York logo após a cerimônia que marcou a relistagem das ações da companhia na Nyse. *O repórter viajou a convite da Azul