Entre as maiores rivais do negócio está a Abra, holding da Gol e da Avianca, e que tem a American como parceira N\ recuperação judicial nos EUA, American e United decidiram aportar US$ 100 milhões, cada uma, na Azul — Foto: Jonne Roriz/Bloomberg A American Airlines e a Azul apresentaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um parecer que defende a parceria entre as aéreas como benéfica aos consumidores, a fim de afastar eventuais problemas concorrenciais em razão do aporte da americana na brasileira. O documento, apresentado na segunda-feira (15), é assinado pelo consultor Thiago Caliari, com apoio da LCA Consultoria Econômica. Dentro do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos da Azul, American e United decidiram aportar US$ 100 milhões, cada uma, na aérea brasileira. O aporte da United, que já era acionista da Azul, recebeu o aval do Cade em fevereiro passado. Agora, a Superintendência-Geral do Cade iniciou os trabalhos para avaliar o investimento da American. O passo das duas aéreas na direção de investir na Azul levantou questionamentos concorrenciais. Entre as maiores rivais do negócio está a Abra, holding da Gol e da Avianca, e que tem a American como parceira. A Abra diz que, com o investimento, a American terá poderes semelhantes a um controlador na Azul, sobretudo diante da criação do comitê estratégico da aérea, que terá representantes da American e também da United Airlines. A Abra chegou a pedir para ser terceira interessada no processo que analisa o investimento da American na Azul, mas foi recusada pela Superintendência-Geral do Cade. A holding tenta recorrer da decisão. Conforme o parecer apresentado pela American e Azul, a operação possuiria potencial de gerar efeitos pró-competitivos sobre a estrutura do mercado aéreo brasileiro, “especialmente ao contribuir para preservação e fortalecimento da capacidade competitiva da Azul”. “A análise desenvolvida na Seção 1 indica que a operação deve ser compreendida no contexto da crescente importância das alianças estratégicas no transporte aéreo internacional e da relevância da situação financeira das companhias aéreas para sua capacidade competitiva. Ainda, conforme destacado, a situação financeira das companhias aéreas constitui variável relevante para a manutenção e fortalecimento de suas operações”, diz. O documento destaca que a Latam apresentou trajetória de fortalecimento financeiro e expansão competitiva após sua reorganização financeira e consolidação da parceria estratégica com a Delta Airlines. O documento afasta ainda sobreposição de rotas entre as aéreas e destacou que o consumidor poderia ser beneficiado por meio de uma maior opção de conectividade. “Conforme demonstrado anteriormente, a sobreposição horizontal entre AA e Azul nas rotas Brasil–EUA é limitada, concentrando-se em poucos mercados potencialmente substituíveis e ainda assim sujeitos à pressão competitiva de múltiplos operadores relevantes. As análises baseadas em dados ANAC e MIDT mostram que mercados como São Paulo–Miami e São Paulo–New York/New Jersey permanecem caracterizados por rivalidade efetiva entre diferentes redes internacionais, incluindo Latam, Delta Airlines, Copa Airlines, Avianca e United Airlines”, diz. Ainda conforme o documento, a participação minoritária da American na Azul não “parece alterar de forma material os incentivos competitivos das empresas envolvidas, tampouco criar mecanismos economicamente plausíveis de coordenação ou acomodação competitiva”, afirma.
American e Azul usam parecer econômico para afastar preocupações concorrenciais no Cade
Entre as maiores rivais do negócio está a Abra, holding da Gol e da Avianca, e que tem a American como parceira








