Concluí, na última semana, a leitura da correspondência entre Hannah Arendt (1906-1975) e o marido, Heinrich Blücher (1899-1970). Originalmente publicadas em alemão, as cartas também estão disponíveis em inglês sob o título "Within Four Walls: The Correspondence Between Hannah Arendt and Heinrich Blücher, 1936-1968".

O volume abrange desde o início da relação do casal, durante o exílio em Paris, até o final da década de 1960, quase 30 anos depois da mudança para os Estados Unidos. A edição foi organizada por Lotte Köhler, amiga e colaboradora de Arendt, além de uma das responsáveis pela administração de seu espólio literário.

Arendt e Blücher se conheceram na primavera de 1936 e tornaram-se próximos após um jantar organizado pelo escritor Chanan Klenbort no apartamento da filósofa. A conversa iniciada naquela noite estendeu-se até a madrugada. No final do verão daquele mesmo ano, eles passaram a viver juntos e, embora ainda estivessem formalmente casados com outras pessoas, começaram a chamar um ao outro de marido e mulher.

A respeito desse período, Arendt escreveu a Blücher, em setembro de 1937: "Ainda parece incrível para mim que eu tenha conseguido conquistar duas coisas: o ‘amor da minha vida’ e a unidade comigo mesma. E, no entanto, eu só pude conquistar uma ao conquistar a outra. Mas, finalmente, também sei o que é a felicidade".