País tem 350 milhões de dólares disponíveis em ativos de direitos especiais de saque (DES) na organização financeira Danos visíveis na terça-feira, 7 de julho de 2026, após terremotos em La Guaira, Venezuela — Foto: AP/Ariana Cubillos O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou nesta quinta-feira que sua diretora-gerente, Kristalina Georgieva, conversou com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sobre o uso da parcela de reservas do país no valor de 350 milhões de dólares em ativos de direitos especiais de saque (DES) do FMI para atender necessidades humanitárias urgentes decorrentes dos dois terremotos. A porta-voz do FMI, Julie Kozack, disse que Georgieva e Rodríguez discutiram o impacto econômico e as necessidades humanitárias provocadas pelos terremotos de 24 de junho, que mataram mais de 3.800 pessoas, feriram quase 17 mil e deixaram cerca de 18 mil venezuelanos desabrigados. "Elas também discutiram o uso da parcela de reservas da Venezuela no FMI, que constitui uma importante fonte de liquidez prontamente disponível e que pode ser mobilizada rapidamente para ajudar a atender às necessidades humanitárias urgentes decorrentes do desastre. Temos trabalhado com as autoridades para facilitar o acesso da Venezuela aos seus próprios recursos no Fundo", afirmou Kozack. Rodríguez disse na semana passada que a Venezuela estava criando, em conjunto com o FMI, um fundo de reconstrução de 200 milhões de dólares e que os recursos seriam destinados a empreiteiras encarregadas de reconstruir as moradias destruídas. Ela afirmou que tanto o FMI quanto o Banco Mundial ofereceram ajuda para apoiar os esforços de recuperação do país. O FMI vem retomando o relacionamento com a Venezuela desde que os Estados Unidos derrubaram o ex-presidente Nicolás Maduro, em janeiro, mas o produtor sul-americano de petróleo ainda está longe de se qualificar para um programa de empréstimos da instituição, pois antes precisa realizar uma complexa reestruturação de cerca de 200 bilhões de dólares em dívidas. Os direitos especiais de saque são ativos de reserva do FMI mantidos pelos países na instituição, de acordo com sua participação acionária. Eles são lastreados em dólar, euro, iene, libra esterlina e yuan. Kozack disse que as discussões se concentraram no fundo de reservas em DES da Venezuela, que somava cerca de 350 milhões de dólares em 8 de julho, e não na alocação total de DES do país, de 4,5 bilhões de dólares. Segundo ela, esse fundo de reservas é "basicamente um direito prontamente disponível decorrente dos ativos de reserva integralizados da Venezuela junto ao FMI, e isso é diferente dos DES que a Venezuela possui por meio da alocação de DES". Ela acrescentou que esses ativos podem ser convertidos nas moedas que lhes dão suporte para utilização pelo país.