0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jair Bolsonaro acompanha ao aeroporto de Brasília Michelle Bolsonaro que embarca para a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Após escancarar as fissuras do clã ao publicar um vídeo acusando Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tê-la maltratado e “apunhalado pelas costas”, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ouviu dois apelos de Jair Bolsonaro, segundo apurou a equipe da coluna com três fontes que acompanham de perto a crise na família. O primeiro foi para a mulher não desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, onde sua eleição é considerada certa até mesmo por adversários do campo da esquerda. O plano eleitoral de Michelle foi colocado em dúvida depois de a ex-primeira-dama ter uma dura conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em que decidiu deixar o comando do PL Mulher. Mas, de acordo com um integrante do núcleo duro da campanha de Flávio ouvido reservadamente pelo blog, “Bolsonaro não quer Michelle só em casa cuidando dele, quer ela participando de eventos da campanha ao Senado”. Por trás desse pedido está um cálculo político expresso por outro aliado da família: a necessidade de garantir pelo menos um Bolsonaro no Senado na próxima legislatura, já que o mandato de Flávio está se encerrando e a eleição de Carlos, o filho 03 do ex-presidente, não é considerada tão garantida como a de Michelle. O ex-presidente também fez um segundo pedido à mulher: arrumar espaço na agenda para participar de eventos de campanha pelo Distrito Federal, ao lado da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), e da governadora Celina Leão (PP). As duas são amigas próximas de Michelle e têm atuado nos bastidores como “bombeiras” da crise instalada no clã Bolsonaro. “É claro que Bolsonaro gostaria que a Michelle participasse da campanha do Flávio, mas é um pai gerenciando a crise entre esposa e os filhos. Não é algo simples”, afirmou um aliado de Flávio. O clã Bolsonaro aposta na ampliação da bancada do PL no Senado para destravar os mais de 100 pedidos de impeachment que tramitam contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos quais mais da metade mira Alexandre de Moraes, relator das principais investigações que fecharam o cerco contra o ex-presidente e seus aliados, como o inquérito das fake news e as ações penais da trama golpista. Agenda de Michelle Segundo relatos obtidos pelo blog, Michelle sinalizou que vai tocar tanto a candidatura quanto a campanha no DF. Os planos de Michelle envolvem conciliar os cuidados médicos de Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar, com agendas de campanha em Brasília que seriam feitas entre duas e três vezes por semana. Viajar para outros Estados é algo considerado praticamente descartado por conta dos tempos de deslocamento, questões logísticas e o monitoramento da saúde de Bolsonaro, que recebe medicação várias vezes ao longo do dia. No caso de aliadas que disputam eleições fora do DF, o mais provável é que Michelle grave vídeos de apoio. “No Distrito Federal, ela consegue participar de uma agenda e voltar para casa em 30, 40 minutos”, diz um aliado de Michelle. O Distrito Federal é um tradicional reduto bolsonarista – lá, Jair Bolsonaro obteve 58,81% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, ante 41,19% de Lula A briga pública com Michelle ampliou a preocupação da pré-campanha de Flávio com o desgaste junto ao eleitorado feminino. O presidenciável tentou contornar a crise em um evento com mulheres do PL na semana passada, mas a agenda acabou esvaziada com a ausência da ex-primeira-dama e de Damares. No próximo dia 15, Flávio promove um novo evento com mulheres, em São Paulo, para apresentar um plano de governo para a população feminina, que contou com a colaboração de Damares. Mais uma vez, a ausência de Michelle deve ser sentida.
Os dois apelos de Jair Bolsonaro para Michelle
Os dois apelos de Jair Bolsonaro para Michelle
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