Ex-assessores do ex-deputado foram presos. Verba destinada a organizações da sociedade civil teria sido desviada O ex-deputado federal Chiquinho Brazão, preso após ser condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol), voltou à mira da Polícia Federal na quinta-feira (9). O ex-parlamentar foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante operação que investiga o desvio de verbas parlamentares destinadas a organizações da sociedade civil (OSCs) no Rio. Dois ex-assessores de Chiquinho, Robson Calixto Fonseca e Raphael da Silva Gonçalves, foram presos na ação. Assim como Chiquinho, Calixto está preso pelo assassinato de Marielle. Gonçalves, por sua vez, foi preso na manhã de quinta pela PF. Os dois são suspeitos de intermediar o desvio da verba parlamentar através de contratos com as organizações sociais quando Chiquinho era deputado. Procuradas, as defesas do ex-parlamentar e de Calixto não responderam. O Valor não conseguiu contato com os advogados de Gonçalves. A investigação da PF apura a prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na ação, 60 agentes da corporação cumpriram os dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram autorizadas medidas de bloqueio patrimonial no valor de R$ 100 milhões dos envolvidos. Segundo a PF, a investigação identificou que parte dos recursos das emendas de Chiquinho Brazão havia sido desviada. A verba seria destinada a entidades sem fins lucrativos que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal. O desvio ocorreu mediante pagamentos indevidos, utilização de empresas interpostas e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos valores, de acordo com investigações policiais. Ainda segundo a corporação, os alvos da operação teriam utilizado organizações da sociedade civil, pessoas físicas e pessoas jurídicas vinculadas ao grupo para movimentação financeira e ocultação patrimonial, com indícios de repasses realizados por meio de empresas e terceiros utilizados como “laranjas”. A PF informou que ainda há suspeita de irregularidades nas parcerias celebradas com as OSCs investigadas. As suspeitas são de práticas de superfaturamento, conluio entre empresas participantes das cotações de preços e não execução dos contratos. Por fim, a PF afirmou que os mandados cumpridos visam a coleta de provas, identificação de outros envolvidos, o aprofundamento da análise financeira e patrimonial dos investigados e recuperação de ativos potencialmente relacionados aos fatos apurados. “Os fatos investigados podem configurar os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das apurações”, disse a PF em comunicado. Chiquinho está preso desde março de 2024 por ser, junto com o irmão Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ), o mandante do assassinato de Marielle. Em abril do ano passado, o ex-deputado passou a cumprir pena em casa por questões de saúde. Ele e o irmão foram condenados em fevereiro passado a 76 anos de prisão pela morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes. — Foto: Agência Brasil