A Copa do Mundo de 2026 ainda não terminou, mas já levou as receitas da Fifa a um patamar inédito. Impulsionada pelo aumento do número de partidas, pela oferta recorde de ingressos e pelo uso de preços dinâmicos, a entidade espera arrecadar quase R$ 16 bilhões apenas com bilheteria e serviços de hospitalidade no atual ciclo. A estratégia, porém, também provocou críticas de torcedores e investigações nos Estados Unidos. Com 48 seleções, 104 jogos e duração de 39 dias, o primeiro Mundial masculino realizado em três países abriu novas possibilidades comerciais para a Fifa. A maior parte das partidas acontece nos Estados Unidos, mercado acostumado a cobrar valores elevados por ingressos de grandes eventos esportivos e de entretenimento. De acordo com uma análise do The Athletic sobre as finanças da entidade, a Fifa projetou inicialmente uma receita de R$ 15,95 bilhões com a venda de entradas e pacotes de hospitalidade durante o ciclo entre 2023 e 2026. Outros R$ 2,58 bilhões haviam sido incluídos no orçamento por causa do Mundial de Clubes disputado no ano passado. O torneio de clubes arrecadou R$ 2,11 bilhões nesses setores, abaixo da meta estabelecida. Ainda assim, a expectativa é de que a Copa do Mundo compense a diferença e estabeleça um novo recorde financeiro. Até o fim de dezembro de 2025, seis meses antes do início do Mundial, a Fifa já havia garantido R$ 10,63 bilhões em receitas contratadas com ingressos e hospitalidade. A entidade ainda precisava arrecadar aproximadamente R$ 5,08 bilhões ao longo de 2026 para atingir a previsão estabelecida no orçamento. Os valores finais só deverão ser divulgados no próximo ano, mas a arrecadação já deve superar com folga a registrada na Copa do Mundo do Catar. Em 2022, a Fifa recebeu R$ 4,78 bilhões com bilheteria e hospitalidade — até então, o maior resultado da história do torneio. A diferença é explicada, em parte, pelo tamanho da competição. A expansão de 32 para 48 seleções acrescentou 40 partidas ao calendário. Além de haver mais jogos, grande parte dos estádios utilizados nos Estados Unidos, no México e no Canadá tem capacidade superior à das arenas do Catar. Cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026 em fotos 1 de 12 Fogos de artifício durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo — Foto: Mario Vazquez / AFP 2 de 12 Pessoas se reúnem no Festival de Fãs da FIFA na Praça Zócalo antes da partida entre México e África do Sul, na Cidade do México — Foto: LUIS CORTES / AFP X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Segurança reforçada na abertura da Copa — Foto: Marco Antonio MARTINEZ / AFP 4 de 12 Artistas se apresentam na cerimônia de abertura da Copa do mundo 2026 na Cidade do México — Foto: YURI CORTEZ / AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Milhares de pessos locam a Fan Zone na Cidade do México para assistir ao primeiro jogo da Copa do Mundo 2026 — Foto: LUIS CORTES / AFP) 6 de 12 Dança dos jogadores da África do Sul — Foto: Reprodução/Redes Sociais X de 12 Publicidade 7 de 12 Milhares de pessos locam a Fan Zone na Cidade do México para assistir ao primeiro jogo da Copa do Mundo 2026 — Foto: LUIS CORTES / AFP 8 de 12 Labubu na Copa do Mundo — Foto: Reprodução\ Tv Globo X de 12 Publicidade 9 de 12 Shakira e Burna Boy cantando na cerimônia de abertura da Copa do Mundo — Foto: Reprodução / Youtube / Caze TV 10 de 12 Cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026 — Foto: YURI CORTEZ / AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Artistas se apresentam na abertura da Copa — Foto: Rodrigo OROPEZA / AFP 12 de 12 Torcida nos arredores do estádio — Foto: LUIS CORTES / AFP X de 12 Publicidade Considerando a lotação prevista das 16 sedes, quase 6,7 milhões de ingressos foram disponibilizados para a Copa de 2026. O número representa mais que o dobro dos cerca de 3,2 milhões oferecidos quatro anos antes. Outro fator que impulsionou a arrecadação foi a adoção dos preços dinâmicos. Confirmado pela Fifa em setembro do ano passado, o modelo permite que o valor dos ingressos seja alterado de acordo com a procura. Partidas com maior demanda, seleções mais populares ou fases decisivas podem, assim, ter aumentos significativos ao longo do processo de venda. A estratégia fez com que preços considerados exorbitantes ganhassem destaque durante a preparação para o Mundial. A Fifa argumenta que o modelo segue práticas comuns do mercado de grandes eventos esportivos e de entretenimento nos países-sede. — Os torcedores são o coração da Copa do Mundo da Fifa, e nunca antes tantos ingressos foram vendidos diretamente a eles — afirmou um porta-voz da entidade ao The Athletic. A Fifa também terceirizou novamente a operação de hospitalidade. A On Location, subsidiária do grupo TKO, foi escolhida como parceira oficial para administrar os pacotes destinados a áreas VIP e experiências especiais durante o torneio. No fim de março, a empresa acumulava aproximadamente R$ 4,83 bilhões em recursos relacionados à comercialização dos pacotes da Copa. O valor havia aumentado quase R$ 3 bilhões em apenas três meses, um indicativo da procura do mercado americano com a aproximação do Mundial. Ainda não é possível determinar quanto desse montante será reconhecido como receita da Fifa. A expectativa, no entanto, é de que os ganhos com hospitalidade superem os R$ 1,25 bilhão registrados no Catar. Portugal estreia na Copa do Mundo: veja fotos da partida 1 de 10 Cristiano Ronaldo, camisa 7 de Portugal, na partida contra a República Democrática do Congo — Foto: Getty Images via AFP 2 de 10 Elenco da República Democrática do Congo no Houston Stadium — Foto: Getty Images via AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Roberto Martinez, técnico da seleção portuguesa — Foto: Getty Images via AFP 4 de 10 O árbitro Abdulrahman Al Jassim emite cartão amarelo a Bernardo Silva — Foto: Getty Images via AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 Joao Neves, camisa 15, comemora o gol de Portugal — Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP 6 de 10 Cristiano Ronaldo discute com o árbitro — Foto: Getty Images via AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 João Neves celebra primeiro gol de Portugal na Copa do Mundo diante da República Democrática do Congo — Foto: Molly Darlington/Getty Images via AFP 8 de 10 Yoane Wissa, camisa 20 da RD Congo — Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Joao Neves, camisa 15 de Portugal — Foto: Getty Images via AFP 10 de 10 Cristiano Ronaldo teve atuação apagada contra a RD Congo em sua estreia na Copa deste ano — Foto: RONALDO SCHEMIDT/AFP X de 10 Publicidade Equipe portuguesa enfrenta a República Democrática do Congo no Texas A arrecadação direta com ingressos também deve ultrapassar os R$ 3,53 bilhões obtidos em 2022. Além da maior oferta de entradas, os preços elevados cobrados durante o atual Mundial aumentaram o potencial de receita. A Fifa também ampliou os ganhos no mercado secundário. A plataforma oficial de revenda cobra uma taxa de 30% sobre cada transação, percentual superior aos 10% ou menos aplicados em edições anteriores da Copa. Nos Estados Unidos, não há limite para os valores cobrados na revenda. No México, onde a legislação é mais rígida, os ingressos foram limitados ao preço original. A Fifa afirma que a ausência de um teto no mercado americano evita que vendedores migrem para plataformas não oficiais em busca de lucros maiores. — O mercado de revenda e troca da Fifa oferece um ambiente seguro, transparente e protegido para que os torcedores vendam ou transfiram ingressos — declarou a entidade. A tentativa de maximizar as receitas no mercado americano, porém, também trouxe consequências. Em junho, o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, anunciou uma investigação sobre as práticas adotadas na comercialização dos ingressos, diante de alegações de que compradores teriam recebido informações imprecisas sobre a localização dos assentos. Os jogadores que disputam a artilharia da Copa do Mundo de 2026 1 de 7 Messi e Mbappé disputam a artilharia histórica; Cristiano Ronaldo também pode chegar dependendo do seu desempenho — Foto: Roberto SCHMIDT / AFP, CHARLY TRIBALLEAU / AFP e RONALDO SCHEMIDT / AFP 2 de 7 Messi marca hat-trick na estreia da Copa do Mundo de 2026 — Foto: Michael Steele/Getty Images/AFP X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Com os três gols contra a Argélia, o craque argentino se tornou o maior artilheiro da competição ao lado do alemão Miroslav Klose — Foto: Charlotte Wilson / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP 4 de 7 Kylian Mbappé fez dois gols na estreia da França na Copa do Mundo 2026 — Foto: Angela WEISS / AFP X de 7 Publicidade 5 de 7 Kylian Mbappé deu mais um passo em direção ao recorde de maior artilheiro da história da competição, que é compartilhado por Lionel Messi e Miroslav Klose — Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP 6 de 7 Neymar, Cristiano Ronaldo e Harry Kane têm oito gols marcados em Mundiais — Foto: MOLLY DARLINGTON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP X de 7 Publicidade 7 de 7 Cristiano Ronaldo ainda pode alcançar os 16 gols de Messi e Klose — Foto: Getty Images via AFP Messi, com 16 gols, está empatado com Miroslav Klose Nova York e Nova Jersey já haviam iniciado apurações semelhantes e intimado a Fifa. Uma das reclamações envolve mudanças nos mapas dos estádios após o início das vendas. Segundo as denúncias, setores inicialmente apresentados aos consumidores teriam sido alterados para permitir a criação de uma nova categoria de ingressos mais cara. A Fifa respondeu que os primeiros diagramas tinham caráter apenas orientativo e não pretendiam representar a localização exata de cada assento. Apesar das críticas, a Copa de 2026 deverá consolidar o maior ciclo financeiro da história da entidade. A Fifa prevê receitas totais de aproximadamente R$ 66,95 bilhões entre 2023 e 2026, aumento superior a 70% em relação ao período anterior. Do total, cerca de R$ 46,35 bilhões devem ser reconhecidos apenas neste ano, quase integralmente impulsionados pela Copa do Mundo. Os resultados finais podem ser ainda maiores.