A misoginia online mudou de linguagem. Em mais de 90% das imagens classificadas como misóginas por pesquisadores da UFBA (Universidade Federal da Bahia), não havia conteúdo sexual explícito.
Em vez de pornografia, o discurso de ódio contra mulheres circula por memes, montagens e piadas, mostra levantamento que analisou 47.018 imagens.
Nas imagens, mulheres são chamadas de "muié", "fêmea", "vadia", "vagabunda" e "prostituta". Também aparecem termos característicos da machosfera, como "msol", usado para mães solteiras, "honradinha", "beta", "ginocentrismo" e "ginofascismo".
O conteúdo ridiculariza mulheres, ataca o feminismo, questiona leis como a Maria da Penha, defende que elas não ocupem espaços de poder e, em alguns casos, chega a incentivar a violência física.
Ao todo, os pesquisadores identificaram conteúdo misógino em 2.896 imagens, o equivalente a 6,2% do material analisado. A misoginia foi a categoria de risco mais frequente do levantamento, superando violência (3%), nudez (2,1%) e conteúdo sexual explícito (1,2%).






