Um ano depois, o governo brasileiro tenta evitar que novas tarifas contra o Brasil entrem em vigor. Novas taxas propostas pelo governo americano inclui tarifa de 25% e adicional de 12,5%. Em 9 de julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciando uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. O documento marcou uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países. Um ano depois, o governo brasileiro tenta evitar que novas tarifas contra o Brasil entrem em vigor. Ao longo dos últimos 12 meses, algumas das tarifas foram revistas, outras mantidas e novas cobranças foram anunciadas pelo governo americano. Agora no g1 Veja abaixo os principais capítulos da disputa comercial entre os dois países: A carta que deu início à crise Entre os motivos citados estavam o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), críticas à atuação da Corte brasileira em relação às plataformas digitais e alegações de que a relação comercial entre os dois países seria desfavorável aos Estados Unidos. Trump manda carta a Lula e anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — Foto: Reprodução À época, economistas e representantes do setor produtivo apontaram que a decisão tinha forte componente político e alertaram para riscos às exportações brasileiras e aos empregos ligados ao comércio com os Estados Unidos. Ao justificar a medida, Trump também afirmou que a relação comercial dos EUA com o Brasil é "injusta". "Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco", escreveu. No documento, Trump também afirma que determinou a abertura de uma investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais ou injustas. A investigação foi oficialmente aberta dias depois, em 15 de julho de 2025. A ampliação do tarifaço A carta não surgiu de forma isolada. Meses antes, em abril de 2025, Trump já havia anunciado as chamadas tarifas recíprocas para diversos países, impondo uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Com o anúncio de julho, parte das exportações brasileiras passou a enfrentar uma sobretaxa muito maior. Cerca de 22% das exportações brasileiras ficaram sujeitas à tarifa adicional de 40%, além de outras cobranças aplicadas a determinados setores. Entre os segmentos mais afetados estiveram produtos industriais, máquinas, equipamentos, café solúvel e produtos ligados à cadeia do aço e do alumínio. Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio, com base na Seção 232 — instrumento separado do IEEPA. As cobranças, que até então eram de 25%, passam a ser de 50%, conforme decreto assinado pelo presidente Donald Trump. A medida afeta o Brasil. Já em junho deste ano, os Estados Unidos concluíram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. 🔎O relatório cita temas como o funcionamento do PIX, a regulação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual e políticas anticorrupção. Essas tarifas ainda não entraram em vigor. O governo brasileiro ainda tenta evitar que elas começem a valer. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. O prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas contra o Brasil é 15 de julho. A combinação de tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas. Nos bastidores, a avaliação de integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty é que a recomendação feita pelo USTR tem caráter político e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelos negociadores ao longo do último ano. Esses interlocutores indicam como exemplo o fato de os documentos referentes ao início da investigação comercial, de julho de 2025, e da recomendação pelas tarifas, de junho de 2026, serem “praticamente iguais”. Portanto, sob reserva, integrantes do governo dizem não acreditar na reversão completa do tarifaço, somente em uma eventual redução ou anúncio de exceções. LEIA TAMBÉM A reação do governo brasileiro O governo brasileiro também reforçou que questões relacionadas ao julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e aos processos em curso no STF são de competência exclusiva da Justiça brasileira. Ao longo do período, representantes do governo e do empresariado passaram a defender a diversificação de mercados e a ampliação de acordos comerciais como forma de diminuir a dependência do mercado americano. Para tentar reverter as medidas, o presidente Lula se encontrou com o presidente Trump em mais de uma ocasião. Além disso, membros dos dois governos se reuniram diversas vezes para tratar do tema. Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), falam a jornalistas antes de reunião em Kuala Lumpur. — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters "Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo", disse o presidente. Recuos e mudanças nas tarifas A medida beneficiou a carne bovina, café, açaí, cacau e diversos outros produtos. São mais de 200 itens que foram acrescentados à lista anterior de quase 700 exceções ao tarifaço imposto ao Brasil. A decisão derrubou uma parcela significativa do tarifaço anunciado pelo governo americano, incluindo medidas que haviam atingido produtos brasileiros. Veja abaixo linha do tempo: Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas para diversos países, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.Em junho do mesmo ano, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado do IEEPA.No dia 9 de julho de 2025, Trump mandou uma carta pública ao presidente Lula e anunciou uma tarifa de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A taxa estava prevista para entrar em vigor em 1º de agosto de 2025. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções.Em 15 de julho de 2025, após pedido de Trump, governo dos EUA abre investigação comercial contra o Brasil. Em outubro de 2025, Lula se reuniu com o presidente Trump na Malásia para tratar das tarifas aos produtos brasileiros.Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros dos dois países se reunirem, os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232.No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. (essas tarifas ficam valendo até o final de julho).Em maio de 2026, o presidente Lula foi aos EUA para se reunir com Trump.Em junho de 2026, os EUA concluem que Brasil tem práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre produtos nacionais.No mesmo mês, os EUA propõem sobretaxa a 59 países e à União Europeia por falha no combate ao trabalho forçado; Brasil está na lista com sobretaxa de 12,5%. Donald Trump Estados Unidos Luiz Inácio Lula da Silva
Um ano após carta de Trump a Lula e anúncio de tarifas: relembre os principais capítulos da disputa comercial entre EUA e Brasil | G1
Um ano depois, o governo brasileiro tenta evitar que novas tarifas contra o Brasil entrem em vigor. Novas taxas propostas pelo governo americano inclui tarifa de 25% e adicional de 12,5%.








