"Nosso único pecado é sermos negros", desabafa mulher acerca dos grupos criminosos que, em 2025, foram responsáveis pelos índices de um homicídio no país a cada hora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Equatoriana Eva Sevillano, pastora evangélica e moradora do bairro Nueva Prosperina, no local popularmente conhecido como Canal da Morte — Foto: MARCOS PIN / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 17:01 Crise de Segurança no Equador: "Canal da Morte" Choca Guayaquil A violência no Equador atinge níveis alarmantes, com um depósito de cadáveres a céu aberto chamado "Canal da Morte" em Guayaquil. Em 2025, o país registrou um homicídio por hora. Corpos são encontrados no canal originalmente destinado à irrigação. Moradores relatam medo e desconfiança da polícia, que supostamente está nas mãos dos criminosos. O presidente Daniel Noboa enfrenta críticas por abusos policiais em sua estratégia contra o crime. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando alguém desaparece, suas famílias geralmente procuram hospitais, o necrotério e a polícia. Mas em um distrito do Equador assolado pela violência do crime, a busca habitual acontece no Canal da Morte, onde dezenas de corpos foram encontrados. Georgina Bermeo estava deitada de bruços, com as roupas sujas e cercada por ervas daninhas, quando seus familiares encontraram seu corpo em maio neste depósito de cadáveres a céu aberto no noroeste de Guayaquil. O canal, com mais de 45 quilômetros de extensão, atravessa Nueva Prosperina, considerado o distrito mais violento do principal porto comercial do Equador. Foi concebido há mais de uma década para irrigação agrícola, mas moradores dizem que, após a pandemia, ficou repleto de corpos e água contaminada. Uma estrada de terra margeia o canal, em meio a lixo, cães magros e urubus. Não há iluminação pública nem câmeras de segurança. Homens armados em motocicletas controlam o acesso, segundo os moradores. Bermeo, de 38 anos, e seu marido, José Cedeño, de 43, foram assaltados e depois baleados. O corpo do homem também foi jogado no canal. — Nosso único pecado é sermos negros — disse a irmã da mulher à AFP por telefone, sob anonimato por medo de grupos criminosos. Em 2025, o Equador registrou uma média de um homicídio por hora, segundo dados oficiais. Esta vista aérea mostra o local popularmente conhecido como Canal da Morte, no noroeste de Guayaquil, no Equador — Foto: MARCOS PIN / AFP A mulher decidiu não denunciar os crimes porque, segundo ela, "a polícia está nas mãos dos criminosos". "A morte nos visita" — Vivemos com medo, com as portas trancadas, e não há como abri-las porque a morte nos visita — disse Juan Ordóñez, um líder comunitário que mora ali há 40 anos e que viu corpos amontoados nas comportas no final do canal. Desde 2023, a polícia forense removeu mais de 100 corpos do canal, alguns dentro de sacos ou nus. Em novembro, encontrou uma vala com nove cabeças, braços e torsos. — É um lugar para jogar corpos. Eles os executam ali ou mais acima, e são levados pela correnteza — diz o tenente Christian Echeverría, da unidade policial que investiga mortes violentas. O policial perdeu a conta dos corpos recolhidos no local durante os três anos em que trabalhou em Guayaquil, um porto estratégico usado por organizações criminosas para traficar cocaína para os Estados Unidos e a Europa. FOTOS: Equador enfrenta crise contra maior facção criminosa do país 1 de 7 Soldado equatoriano em frente ao canal de televisão equatoriano TC depois que homens armados invadiram o estúdio de televisão estatal ao vivo, em 9 de janeiro de 2024, em Guayaquil, no Equador — Foto: MARCOS PIN / AFP 2 de 7 Homens armados invadem transmissão ao vivo de emissora pública no Equador — Foto: Reprodução/La Nacion X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 O presidente equatoriano Daniel Noboa declarou estado de emergência após a fuga da prisão de um perigoso chefe do narcotráfico. Tiros soaram ao vivo na TV no Equador quando homens armados portando fuzis e granadas invadiram o estúdio — Foto: Marcos PIN / AFP 4 de 7 Pessoas se reúnem nas proximidades do canal de televisão equatoriano TC depois que grupo armado invadiu o estúdio de televisão estatal em Guayaquil — Foto: MARCOS PIN / AFP X de 7 Publicidade 5 de 7 Franco-atirador equatoriano toma posição do lado de fora das instalações do canal de televisão equatoriano TC — Foto: MARCOS PIN / AFP 6 de 7 Policiais fecham a estação de metrô de San Francisco como medida de segurança depois que o presidente equatoriano declarou estado de "conflito armado interno" e ordenou que o Exército realizasse operações militares contra as poderosas gangues de drogas do país, no centro de Quito — Foto: AFP X de 7 Publicidade 7 de 7 Soldados do exército patrulham a entrada do palácio presidencial — Foto: Rodrigo BUENDIA / AFP Em seu relatório de março sobre o Equador, o Comitê das Nações Unidas para o Combate aos Desaparecimentos Forçados (CED) relatou ter recebido denúncias de pelo menos 51 casos de desaparecimentos supostamente perpetrados por agentes do Estado desde 2024. As denúncias de abusos policiais e militares aumentaram sob a estratégia contra o crime organizado do presidente Daniel Noboa, apoiada pelos Estados Unidos. No poder desde 2023, Noboa governa sob um estado de exceção quase permanente. Mas a criminalidade persiste no país e nesta cidade de quase três milhões de habitantes, onde, segundo dados oficiais, ocorreram mais de 900 homicídios entre janeiro e maio.