Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, mostram que 68% dos brasileiros vivem com excesso de peso e 31% apresentam obesidade. Com a popularização de medicamentos utilizados no tratamento da doença, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, muitos pacientes passaram a associar a queda dos números na balança à recuperação completa da saúde. Para médicos, porém, o emagrecimento deve ser apenas uma das etapas do cuidado.

Segundo o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal, os medicamentos representam um avanço importante, mas não substituem uma avaliação ampla do organismo. “Temos medicamentos capazes de produzir perdas de peso que antes eram observadas apenas em procedimentos mais invasivos. Isso é extremamente relevante. O problema começa quando a sociedade passa a acreditar que emagrecimento e saúde são exatamente a mesma coisa. Não são”, afirma.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade entre adultos mais que dobrou desde 1990. A condição está associada ao maior risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, esteatose hepática e alguns tipos de câncer. Por isso, o tratamento precisa considerar fatores como composição corporal, massa muscular, sono, alimentação, exames laboratoriais e histórico clínico.