Mais de 70% dos brasileiros já estão acima do peso; especialista aponta que incorporar movimento à rotina pode ajudar a combater o sedentarismo Divulgação — Foto: Divulgação A obesidade no Brasil cresceu 118% entre 2006 e 2024, segundo dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. Hoje, 25,7% dos adultos brasileiros, o equivalente a um em cada quatro, convivem com a doença. Quando considerado o sobrepeso, o índice atinge 62,6% da população. Números mais recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), referentes a 2025, mostram um cenário ainda mais preocupante: 36,3% dos adultos atendidos na atenção primária do SUS apresentam obesidade e 70,9% estão acima do peso. As estatísticas refletem uma realidade que o empresário Marcos Boaventura Veloso Junior viveu na prática. Há cerca de dois anos, ele pesava 132 kg e enfrentava uma série de problemas de saúde, incluindo pressão alta, pré-diabetes, gordura no fígado grau 3 e alterações hormonais. Apesar de ter sido ciclista no passado, estava há aproximadamente dez anos sem pedalar. A mudança começou com uma combinação de fatores: melhora da alimentação, abandono do cigarro e do álcool, acompanhamento médico e retomada da atividade física. Foi nesse processo que a bicicleta voltou a fazer parte da rotina. Há pouco mais de um ano, Marcos adquiriu uma bicicleta elétrica da Oggi e passou a pedalar regularmente. Hoje, com cerca de 74 kg, afirma que o pedal teve papel importante em sua transformação. "A bike foi determinante. Não foi só uma questão de emagrecer, mas de recuperar qualidade de vida. Quando eu estava com mais de 130 kg, pedalar era muito difícil. A bicicleta elétrica da Oggi me ajudou a voltar a me movimentar, ganhar condicionamento e criar uma rotina que consegui manter ao longo do tempo. Hoje meus exames estão controlados e minha saúde é completamente diferente", relata. As bicicletas elétricas podem desempenhar um papel importante na adesão à atividade física, especialmente entre pessoas que estão retomando o movimento após longos períodos de sedentarismo, apresentam excesso de peso ou possuem limitações de condicionamento físico. A assistência elétrica reduz o esforço em subidas e trechos mais exigentes, tornando o pedal mais acessível sem eliminar a necessidade de movimentação. Isso permite que iniciantes percorram distâncias maiores, ganhem confiança e desenvolvam condicionamento de forma gradual. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal capaz de causar prejuízos à saúde. No Brasil, o Ministério da Saúde classifica a doença como multifatorial, crônica e recidivante, influenciada por fatores como alimentação, sono, estresse, renda, ambiente urbano e acesso a opções saudáveis. Os dados da Vigitel mostram ainda outro desafio. Apenas 42,3% dos brasileiros praticam atividade física regularmente no lazer e menos de 12% incorporam exercícios ao deslocamento diário, como ir ao trabalho ou à escola caminhando ou pedalando. O papel da mobilidade ativa Além da alimentação inadequada e do aumento do consumo de ultraprocessados, especialistas apontam o estilo de vida urbano como um dos principais motores da obesidade. Longas jornadas no trânsito, falta de tempo e ambientes pouco favoráveis à prática de exercícios dificultam a adoção de hábitos saudáveis. Nesse contexto, a mobilidade ativa, que inclui deslocamentos realizados a pé ou de bicicleta, começa a ganhar relevância como parte da discussão sobre saúde pública. "Precisamos tratar a atividade física como algo rotineiro. Incorporar movimento ao deslocamento diário pode ser uma das formas mais sustentáveis de combater o sedentarismo. Quando usada no dia a dia, a bicicleta deixa de ser apenas lazer e passa a ser uma ferramenta de promoção da saúde", afirma David Peterle, CEO da Oggi Bikes. Diretrizes da Organização Mundial da Saúde indicam que adultos que cumprem a recomendação mínima de 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada reduzem em até 30% o risco de doenças cardiovasculares e entre 20% e 30% o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Ao incorporar o movimento à rotina, seja no deslocamento para o trabalho ou em compromissos cotidianos, é possível atingir essa recomendação sem depender exclusivamente de horários extras para exercício. Para Peterle, a mobilidade ativa não resolve sozinha um problema tão complexo quanto a obesidade, mas pode contribuir para tornar o movimento parte do cotidiano. "Cada trajeto pedalado representa uma oportunidade de reduzir o sedentarismo, melhorar indicadores de saúde e diminuir a dependência de um estilo de vida completamente motorizado. Quanto mais fácil for incorporar atividade física à rotina, maiores serão as chances de as pessoas manterem hábitos saudáveis ao longo do tempo", conclui.