Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves foram indiciados por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, acompanhando a conclusão do relatório final do inquérito policial. Eles seguem presos. A tragédia aconteceu na manhã do dia 13 de junho de 2026. A partir da denúncia do MP, registrada por volta das 18h desta terça-feira (7), será realizada uma audiência de instrução e julgamento para ouvir os acusados. Na denúncia, o MP sustenta que os responsáveis pela execução do salto "tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias", como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos. "A peça também aponta que o grupo atuava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais aplicáveis e priorizava interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes", completou. Morte em Rope Jump: veja depoimento de apontada como organizadora do evento Após essa etapa, a Justiça decidirá se os réus vão a júri popular. O g1 tenta contato com as defesas dos quatro presos e aguarda retorno. Infográfico - Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de ponte de 40 metros em Limeira — Foto: Arte/g1 Polícia Civil No primeira semana de julho, a polícia concluiu o segundo inquérito e indiciou Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como organizadora do evento, por homicídio e fraude processual. Morte em rope jump: imagens em novo ângulo flagram reação de pessoas após jovem ser lançada de ponte no interior de SP — Foto: Reprodução/EPTV Os quatro indiciados estão presos. Já João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins também chegaram a ser presos, mas a polícia solicitou a revogação das prisões. Abaixo, veja quem são as pessoas investigadas, a situação de cada uma delas e as suspeitas levantadas pela Polícia Civil: Investigados Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves Eles são os instrutores que aparecem em um vídeo lançando Maria Eduarda da ponteForam indiciados por homicídio com dolo eventualEstão presos desde o dia da tragédia. A prisão preventiva foi decretada no dia seguinte Evelyne dos Santos Gonçalves Apontada como organizadora do evento de rope jumpFoi indiciada por homicídio qualificado e fraude processualEstá presa desde o dia 20 de junho. Polícia pediu a prisão preventiva e aguarda decisão da JustiçaPolícia indica que Evelyne assumiu o risco ao manter a atividade em condições precáriasAinda segundo a polícia, de acordo com depoimentos, a mulher pode ter orientado colaboradores a "sumir com a câmera" que estava presa ao pulso da jovem e que gravava o salto Luís Gustavo de Oliveira Atuava com a recepção dos praticantes, conferência de dados, organização e equipagem básicaNão foi preso nem indiciado pela polícia Kauê Felipe Silva Silveira Atuava como colaborador eventual da equipe, com posição de trabalho voltada para a estrutura de ancoragem, de costas para a área de lançamentoPolícia não verificou conduta atribuível ao investigado que tenha contribuído para a morteNão foi preso nem indiciado João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva Exercia função de retirada do mosquetão dos participantes após a realização dos saltos, na parte inferior da ponteApós a queda, aproximou-se da vítima, verificando sinais vitais e comunicando via rádio a necessidade de apoio especializadoFoi preso em 20 de junho por suspeita de ocultar provasPolícia, no entanto, afastou essa possibilidade e pediu a revogação da prisãoNão foi indiciado Gabriel Barros Martins Exercia função específica no acompanhamento da descida do participante após o salto, realização dos bloqueios e desbloqueios do sistema e preparação do equipamento para futura utilizaçãoFoi preso em 20 de junho por suspeita de fugir do local após a tragédiaNo entanto, polícia descartou que ele tenha influência, de forma intencional ou não, na morte e pediu a revogação da prisãoNão foi indiciado O que dizem as defesas Em relação à conclusão do inquérito da Polícia Civil, a defesa de Luis Felipe e de Maicon Fernandes informou que não concorda com o enquadramento do caso. Segundo ela, tratava-se da prática de um grupo idôneo e que o ocorrido foi "uma fatalidade inexplicável". Evelyne era representada por um profissional que declarou que ela estava confiante sobre a própria inocência. No entanto, ao decorrer do processo, a suspeita trocou de advogado. O novo defensor informou que recebeu a conclusão do inquérito com respeito, mas que discorda do indiciamento. "Trata-se de manifestação da autoridade policial, que será submetida ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. As teses defensivas serão apresentadas no momento oportuno, confiando que, ao final, os fatos serão devidamente esclarecidos, observando o devido processo legal e a presunção de inocência", informou Maurício Marchiori. Em nota, os advogados de João Antonio, Vitor Aurélio e Ana Flávia de Almeida Foguel, informaram que o instrutor deve ser indenizado pelo período preso. "A defesa lamenta o julgamento antecipado que João sofreu e o tempo que permaneceu em cárcere de forma ilegal, especialmente porque nunca houve qualquer indício de que ele teria desaparecido com referido objeto. Desde o início da segregação, esta se mostrou ilegal e desnecessária, sendo apontado todos os vícios pelos advogados subscritores. Apesar das graves e irreparáveis consequências pessoais que isso gerou em sua vida pessoal, restou comprovado que ele não praticou qualquer crime, devendo, inclusive, ser indenizado pelo período em que permaneceu, indevidamente, preso", afirmaram. A defesa de Gabriel Barros informou que a suspeita é um equívoco. O g1 tentou localizar a defesa de Vitor de Freitas Gonçalves, de Kauê Felipe Silva Silveira e de Luís Gustavo de Oliveira, mas não conseguiu até a última atualização desta reportagem. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região
Morte no rope jump: MP denuncia quatro por homicídio com dolo | G1
MP denuncia quatro por homicídio com dolo eventual após morte de Maria Eduarda Rodrigues em salto de rope jump sem cordas no interior de São Paulo.







