O que é a busca na era da IA, segundo o GooglePara Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação na empresa, as pesquisas serão uma combinação de conteúdos da web e inteligência artificial. Crédito: Lucas AgrelaGerando resumoDesde o primeiro domínio www até a era da inteligência artificial (IA), a evolução da internet redefiniu o armazenamento e o consumo de informações. Por mais de 25 anos, o modelo predominante foi a era dos links azuis, estabelecida pelo Google, onde consultas por palavras-chave levavam a listas de links para o usuário garimpar. Porém, esse ecossistema começou a mostrar fragilidades, como a alta taxa de links mortos, fake news e páginas com informações desatualizadas. Com Gemini e ChatGPT, a lógica da busca está sendo desconstruída: o buscador do Google passará a atuar como um assistente inteligente que dá respostas prontas e resumos interativos. PUBLICIDADEA chegada da caixa de busca interativa, que permitirá uma conversa fluida do usuário com o buscador, está empurrando a internet para uma nova fase, que está deixando para trás os tempos dos cliques e dos links.A busca tradicional não vai acabar por completo, mas certamente será menor do que é hoje. O próprio Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, não acredita que a IA vá substituir a web. Em vez de obrigar o usuário a escolher entre um e outro, o futuro das buscas será uma combinação poderosa da capacidade da IA com a riqueza de informações da web aberta.PublicidadeLiz Reid, vice-presidente de busca do Google, diz que tecnologia permitiu evolução da pesquisa para algo mais natural do que palavras-chave Foto: Lucas Agrela/Estadão“Em relação às respostas, acreditamos que a melhor busca é uma combinação de IA e pesquisa, IA e web. Existem outras empresas que se concentram exclusivamente na IA. Acreditamos que a IA é incrível e poderosa, e levar recursos de ponta de IA às pessoas é extremamente importante, mas a web também é fundamental. Portanto, não queremos que os usuários precisem escolher entre a web e a IA, mas sim que possamos unir as duas em uma experiência de busca realmente poderosa”, disse Fox durante um painel do Google I/O, evento anual para desenvolvedores. ‘Caixa de pesquisa inteligente vai mudar a experiência’Já Liz Reid, vice-presidente de pesquisa do Google, afirmou que a evolução tecnológica permitiu que as buscas evoluíssem para algo menos técnico, como a busca por palavras-chave, e mais natural, como uma pergunta. Por isso, a implementação da caixa de pesquisa inteligente foi algo permitido pela IA e que vai mudar a experiência de pesquisar online, ajudando a obter respostas mais rápidas sem que seja preciso acessar três ou quatro links de sites para isso.“A tecnologia era um obstáculo, impedindo que as pessoas fizessem perguntas (nas buscas). Então, você não sentia que podia formular a pergunta que tinha em mente. Achava que precisava traduzir para palavras-chave, que precisava usar texto, que precisava ser algo imediato. E a tecnologia está realmente nos permitindo quebrar essas barreiras. Agora você pode trazer a pergunta que realmente tem e simplesmente fazê-la”, diz Liz.PublicidadeIA é a nova interface do usuárioUma frase que vem se consolidando entre especialistas em tecnologia é que a IA é a nova interface do usuário (“AI is the new UI”, no trocadilho em inglês). Em outras palavras, as plataformas de IA como o ChatGPT e o Gemini estão se posicionando como a lente pela qual enxergamos os conteúdos da internet nos próximos anos. De modo similar, o navegador de internet ocupou esse espaço antes dos aplicativos se popularizarem nos celulares. Agora, é a vez de a IA fazer esse papel. O especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja lembra que a mudança na lógica de uso da internet também traz alteração na dinâmica de anúncios, o que afeta o Google como plataforma, os anunciantes e também os internautas.“Quem está anunciando não vai mais anunciar por palavra-chave, por domínio, vai anunciar genuinamente por interesse demonstrado nessa busca balizada por IA”, afirma. PublicidadeSegundo Igreja, o Google terá mais capacidade de refinar seus resultados de pesquisa, uma vez que o próprio usuário poderá dizer isso, sem a necessidade de nenhuma inferência ou adivinhação sobre a qualidade dos resultados apresentados em uma busca. No ChatGPT, uma das saídas que as marcas têm buscado é levar seus aplicativos para a plataforma, que tem uma espécie de loja de aplicativos que podem ser executados no ambiente da IA. O que é a estratégia Google ZeroAs empresas de mídia devem estar entre as mais impactadas. Após a queda do tráfego vindo das redes sociais a partir de 2018, veículos de mídia passaram a contar cada vez mais com as buscas como base do modelo de negócio de audiência, sustentado pela exibição de publicidade em grande volume. Porém, a nova virada do mercado já levou a editora Condé Nast a planejar os negócios como se o tráfego de busca fosse efetivamente zero. PublicidadePUBLICIDADEA expectativa da companhia é de que o tráfego de pesquisas se estabilize na casa de apenas um dígito do total de visitas de seus sites, ou seja, entre 1% e 9%. Por isso, a editora passou a apostar mais na receita vinda das assinaturas e também fomentou seus canais de tráfego direto, como aplicativos e newsletters. A estratégia é tornar os leitores mais fiéis para lidar com a queda no volume de acessos aos seus sites.Leia tambémComo a IA está forçando o Google a reinventar seu império de anúnciosGoogle entra na era dos agentes de IA com Spark e anuncia Gemini 3,5 FlashThe Economist: A tentativa dos EUA de controlar quem pode acessar a IA mais avançadaA empresa também identificou que as marcas que devem sobreviver a essa nova era da internet são aquelas que estão nos extremos do seu portfólio. De um lado, estão as marcas globais gigantes e com grande autoridade, entre elas Vogue, The New Yorker, Vanity Fair e GQ, que continuam com lucro crescente. Do outro, estão as marcas nichadas e com público fiel, como a Pitchfork. Publicidade‘Os acordos de licenciamento de conteúdo serão vitais’Segundo Kenneth Corrêa, professor de MBAs da FGV, a nova realidade das buscas com a IA demanda adaptação do mercado e veículos de mídia devem fechar parcerias comerciais com as plataformas de IA generativa. A Austrália prepara um projeto de lei para obrigar esse tipo de negócio. O Estadão tem uma parceria de licenciamento com o Gemini, do Google.“Os acordos de licenciamento de conteúdo serão vitais, mas estamos vendo a consolidação de um mercado de duas velocidades. Para os veículos conseguirem capturar valor nessa nova dinâmica, o caminho mais seguro é transformar sua base de dados em um ativo licenciado”, afirma Corrêa.Por que estratégias de SEO continuam importantesNesse contexto da IA como interface, a prática conhecida como Search Engine Optimization (SEO) se mantém importante para o rastreio de informações feito pelas plataformas de IA generativa. O que muda mesmo é a possibilidade de capturar a atenção da pessoa que clicou em um site e poderia ver outros anúncios ou comprar uma assinatura de site ou mídia.Com a chegada dos agentes de IA que fazem pesquisas em nome dos usuários sobre temas que eles desejam saber, como o resultado de um jogo ou se vai ter ou não greve de metrô. Por isso, o SEO precisará não só considerar que cada resposta no Google será feita sob medida para responder às perguntas feitas como também se adaptar para que os conteúdos sejam encontrados pelos agentes, que estão previstos para chegar entre junho e setembro.
Fim da era dos links: como a internet está sendo dominada pela IA
A evolução do mecanismo de buscas muda a lógica de exibição de conteúdo digital e traz as plataformas de inteligência artificial como principal interface; entenda o que muda







