Novos óculos com IA do Google traduzem conversas em outros idiomasAparelho chega em 2026 e aposta em design menos ligado à tecnologia. Crédito: Lucas AgrelaGerando resumoDesde 2001, o buscador do Google funcionava de forma parecida: você pesquisava por palavras-chave e era direcionado a uma página com links de sites, veículos de mídia ou blogs. Durante o Google I/O, seu evento anual para desenvolvedores, a companhia mostrou uma série de medidas que privilegiam as respostas geradas com inteligência artificial (IA), sendo a principal delas a caixa de busca inteligente.PUBLICIDADE“Como nem sempre a sua curiosidade se encaixa em palavras-chave, estamos apresentando a maior atualização da nossa caixa de busca em mais de 25 anos — agora completamente repensada com IA. Essa caixa de busca inteligente coloca nossas ferramentas de IA mais poderosas ao seu alcance, facilitando a formulação de suas perguntas”, diz, em nota, Elizabeth Reid, vice-presidente de buscas no Google.O novo recurso vai além do autocompletar que já existia no buscador. Ele ajuda a formular a pergunta com sugestões baseadas em IA. Assim como antes, é possível fazer pesquisas por texto, fotos ou vídeos.Busca do Google passa a privilegiar resultados gerados por IA Foto: Google/DivulgaçãoPara Kenneth Corrêa, professor de MBAs da FGV, a mudança coloca em xeque tanto grandes grupos de mídia quanto produtores menores. A alternativa tem sido buscar acordos com grandes empresas pelo uso dos seus conteúdos. Publicidade“Os grandes grupos globais já perceberam isso e têm musculatura para ditar os termos. O movimento mais emblemático recente foi o do New York Times. Mesmo mantendo uma postura dura e litígios por uso indevido de direitos autorais contra a OpenAI, o jornal fechou em 2025 um acordo estratégico com a Amazon para alimentar seus modelos de IA e a Alexa. Isso prova que, havendo controle contratual e remuneração justa, o licenciamento é o melhor negócio”, afirma Corrêa.O professor cita também que outras grandes redações pelo mundo fecharam acordos com as big techs e empresas de IA generativa, como é o caso de Financial Times, Associated Press, The Atlantic e Le Monde. O Estadão firmou parceria semelhante com o Google Gemini no ano passado. No entanto, blogs e influenciadores de pequeno ou médio portes devem ser impactados pela mudança no funcionamento das buscas por mudar a lógica da descoberta de novidades ou de tutoriais.Impacto sobre blog ou youtuber“Aquele blog de nicho ou youtuber que sobrevive basicamente de responder dúvidas genéricas, como tutoriais simples ou listas de recomendações, vai perder tração rapidamente. Se o AI Mode resolve a dúvida do usuário na própria tela, o clique que geraria visualização e receita de afiliados simplesmente desaparece. O jogo para esses criadores deixa de ser sobre capturar tráfego orgânico via SEO”, afirma Corrêa.Segundo o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, a mudança feita pelo Google é uma correção de rota para evitar ficar para trás por estar preso a um modelo de negócios com mais de 20 anos, com grande volume de dinheiro vindo de links patrocinados exibidos nas páginas de resultados das pesquisas. Publicidade‘AI is the new UI’“Tem uma frase que é usada já há algum tempo, especialmente nos EUA, que é ‘AI is the new UI’, ou seja, a IA é a nova interface do usuário. Na prática é isso que está acontecendo. Começamos a ver isso naquele modo IA, nas buscas do Google, e mais e mais vemos essa portabilidade, as pessoas fazendo pesquisas, por exemplo, no ChatGPT. O Google percebeu que se ele ficar agarrado ao modelo de negócio dele do final dos anos 90, ele pode caminhar para um problema ou para a irrelevância”, diz Igreja.Impacto sobre o CPCPara Corrêa, o modelo tradicional de custo por clique (CPC) e leilão de palavras-chave adotado nos anúncios, que sustentou o Google por mais de duas décadas, sofre um impacto direto com a mudança da busca para privilegiar a IA.Leia tambémGoogle entra na era dos agentes de IA com Spark e anuncia Gemini 3,5 FlashGoogle leva IA para óculos e permite tradução de conversas em outro idioma em tempo realThe Economist: Prepare-se para um apocalipse de empregos causado pela IA“Para manter sua dominância financeira, o Google está tentando transicionar os anúncios para dentro do fluxo de intenção do agente. Isso significa que a publicidade vai deixando de ser um banner estático baseado no que você digitou e passa a ser uma recomendação de produto ou serviço integrada nativamente no momento em que o assistente executa uma ação para você”, afirma. De acordo com ele, o Google caminha para uma monetização de forma invisível nos agentes de IA dentro da busca, e o grande desafio será fazer isso em larga escala sem corroer a confiança do usuário na neutralidade da ferramenta.Publicidade
Google faz maior mudança nas buscas em 25 anos e desafia o mercado editorial
A lógica de pesquisas por palavras-chave dá lugar a perguntas completas respondidas por inteligência artificial











