O jornalismo esportivo tem a obrigação de colocar uma pergunta a Carlo Ancelotti. Há várias perguntas, mas uma é ineludível. Ela pode ser feita de maneira mais agressiva ou polida. Mas ela tem que ser feita.

Em um tom escrachado, a pergunta seria: "O senhor fez as alterações dos 66 minutos porque pensou que um ex-jogador gordo e manco, que não atua em alto nível há três anos e meio, poderia realizar um milagre ou porque queria acalmar o lobby e antecipar sua autoblindagem das críticas que receberia no caso de uma eliminação com ele no banco?".

O fato de que Ancelotti não responderia essa pergunta de forma aberta e sincera —ele não é Tuchel, ele tem outro estilo, mais diplomático— não exime o jornalismo da obrigação de fazê-la.

O Brasil atuou reativamente, entregando a bola à Noruega para sair em contra-ataque. Fechou o primeiro tempo com apenas 35% da posse. Essa não seria a minha escolha, mas entendo sua lógica.

Sabemos que o Brasil não possui um meio-campo robusto e controlador e que a equipe tem na qualidade dos atacantes e zagueiros-centrais as suas grandes forças. Sabemos também que a Noruega tem nas arrancadas de Haaland, a partir de passes de Odegaard, a sua grande arma. Fazia sentido negar-lhes essa arma com um esquema que compactasse a intermediária.