O jogo com a Noruega foi o único que não teve a palavra de Ancelotti ainda no campo após o apito final 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira — Foto: Ronaldo Schemidt / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 22:38 Críticas a Ancelotti após derrota do Brasil geram debate sobre seu papel na seleção Carlo Ancelotti, primeiro técnico estrangeiro do Brasil em um Mundial, enfrentou críticas após a derrota contra a Noruega. Apesar de seu respeito e envolvimento com o futebol brasileiro, sua ausência para declarações após o jogo, substituído por seu filho Davide, e sua viagem imediata ao Canadá, geraram uma percepção de distanciamento. A CBF precisa promover um diálogo mais profundo, visando fortalecer a relação de Ancelotti com o futebol nacional para o futuro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Primeiro de tudo, algumas ponderações precisam ser feitas. Primeiro, Ancelotti não cometeu qualquer crime, tampouco negligenciou seu trabalho na primeira etapa de sua passagem pela seleção brasileira. O italiano foi contratado com o ciclo quase no fim, fez uma corrida contra o tempo e competiu na Copa do Mundo. O Brasil jogou mais do que a Noruega e, em circunstâncias normais, hoje estaríamos na expectativa para as quartas-de-final da Copa. Da mesma forma, o italiano, primeiro estrangeiro a dirigir o Brasil num Mundial, sempre foi extremamente respeitoso com o país e com o futebol do país. Foi a jogos do Campeonato Brasileiro mesmo sem que estivesse em campo algum selecionável, mostrou-se aberto ao diálogo, elogioso com o jogo praticado aqui e, numa demonstração de envolvimento com as pessoas, fez questão de cantar o hino nacional antes de cada jogo da Copa do Mundo. Mas há um ponto que, sim, poderia ter sido conduzido de outra forma: o pós-derrota. Não só pelo fato de que o jogo com a Noruega foi o único que não teve a palavra de Ancelotti ainda no campo após o apito final. Foi Davide, filho de Carlo, quem deu as primeiras declarações. Mas principalmente pelo fato de o italiano ter partido diretamente para o Canadá, país de sua esposa. O Brasil precisa abandonar a ideia de que derrotas, necessariamente, devem ter um vilão, alguém condenado a pagar o preço. Mesmo que o preço seja submetê-lo a algum tipo de constrangimento. Não se trata disso. O caso é que cada eliminação de Copa do Mundo, se por um lado conduz à histeria e a acusações extremamente cruéis, também suscita debates bem-intencionados de quem procura refletir sobre o futebol brasileiro. A entrevista coletiva pós jogo, ainda no estádio, tem limitações de tempo, além de ser influenciada pelo impacto emocional de um jogo recém-terminado. Então, a comunidade do futebol brasileiro, o que inclui imprensa, torcedores, dirigentes esportivos, atletas, todos mereciam um balanço feito mais a frio pelo técnico. A viagem feita diretamente dos Estados Unidos para o Canadá cria uma imagem de frieza e distanciamento indesejáveis para o momento. É natural que a CBF entenda que, no calor da eliminação, a tendência era que qualquer análise de Ancelotti fosse usada contra ele, afinal o humor nacional não está tão aberto a explicações ponderadas. Mas este parece muito mais o eco das redes sociais do que um panorama mais justo de quem analisa futebol no Brasil. Há gente disposta a ouvir e dialogar. Talvez o termo “prestação de contas” soasse duro com Ancelotti. Mas até setembro não haverá contato com ele para refletir sobre o último Mundial. E por falar em diálogo, é hora de olhar o futuro. Até aqui, Ancelotti foi quase um bombeiro que precisou às pressas sair do quase nada para a construção de um time que jogasse a Copa do Mundo. Era loucura pensar em mudança, e um dos trunfos do Brasil para 2030 será ter um técnico desse nível com direito a quatro anos de observações, testes e execução de um projeto para a próxima Copa. O que também deve servir para aprofundar sua relação com o futebol brasileiro. Ele tem muito mais a oferecer ao futebol nacional do que as observações de jogos e de jogadores, além das esparsas reuniões com os convocados para dirigir o time. É importante criar meios para que ele influencie, e seja influenciado, pelo futebol do Brasil: que tenha contato com jovens treinadores, que debata métodos de formação e treinamento nas diferentes regiões do país, que contribua com ideias para que aproveitemos a vasta extensão territorial para revelar ainda mais jogadores. E, talvez, com discussões sobre identidade de jogo numa era em que a globalização estandardiza métodos e estilos. A começar pela não realizada entrevista pós-Copa, é importante ter Ancelotti por perto.