Presidente do Senado reage e diz que ‘esse tipo de ameaça não será mais tolerado’ Deputado Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), subiu o tom na terça-feira (7) contra o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), ao afirmar que Alcolumbre será eleito “inimigo dos trabalhadores” caso não despache a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado até a próxima semana. Já o presidente do Senado afirmou que “esse tipo de ameaça” não “será mais tolerado”. Durante a manhã, na Câmara dos Deputados, Uczai afirmou que a bancada do PT irá eleger Alcolumbre como “inimigo” caso não haja o despacho do texto para a CCJ. A PEC do fim da escala 6x1 já foi aprovada na Câmara dos Deputados e é uma das prioridades do governo federal para a eleição presidencial deste ano. “Nesta semana nós vamos dar uma trégua para o Davi Alcolumbre”, disse o deputado a jornalistas. “Se até semana que vem ele não caminhar com a PEC para a CCJ, nós vamos elegê-lo inimigo dos trabalhadores.” A disputa ocorre em meio a um distanciamento político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Davi Alcolumbre, cuja relação está estremecida desde a rejeição, no Senado, da indicação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), em abril. Após a declaração, a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), desautorizou Uczai e afirmou, em entrevista ao Valor, ser contra classificar o presidente Alcolumbre como “inimigo dos trabalhadores”. Já Alcolumbre ressaltou, por meio de nota divulgada durante a tarde, que a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da presidência do Senado. “E não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”, disse. Na nota, a assessoria da presidência do Senado afirma que na última semana Alcolumbre reuniu-se com Teresa Leitão, o senador Paulo Paim (PT-RS) e representantes das centrais sindicais para tratar da matéria, “reafirmando seu compromisso com o diálogo e com a regular tramitação da proposta”. Em reunião com as centrais sindicais, Alcolumbre defendeu acabar com a transição na PEC do fim da escala 6x1. Ele propôs estudar a viabilidade de tornar imediata a redução da jornada de 44 para 40 horas de trabalho semanais. Pelo texto aprovado pela Câmara, essa transição será de um ano. Depois da manifestação de Alcolumbre, questionado se teria se arrependido da declaração, Uczai reforçou o posicionamento. “Há mais de um mês que o presidente do Senado não coloca em tramitação essa matéria O presidente do Senado pode muito, mas não pode tudo. Deixa a democracia decidir, deixa os senadores decidirem quem é a favor e quem é contra a redução da jornada de trabalho”, declarou o líder do PT. De acordo com Uczai, esta semana será de negociação e diálogo com Alcolumbre, as centrais sindicais, as lideranças, o governo federal e o Senado. “Mas, se demorar mais uma semana, falei, repito e reafirmo, se demorar até a semana que vem e a matéria não tramita, não vai para a CCJ”, afirmou. “Se o presidente até a semana que vem não se movimenta, coloca-se um posicionamento de não tramitar a matéria, o que nós vamos fazer? Nós vamos ampliar a mobilização, sim, porque é legítimo e porque o povo brasileiro assim quer.” A expectativa do Palácio do Planalto é destravar a tramitação de propostas consideradas prioritárias e alinhar com a presidência da Casa o calendário de votações do segundo semestre. Além da PEC do fim da escala 6x1, ainda há outras matérias prioritárias para o governo em tramitação no Senado, como o Marco Legal dos Minerais Críticos e a proposta de emenda à Constituição da segurança pública (ver nesta página. (Colaborou Gabriela Guido)
Líder do PT diz que Alcolumbre será eleito inimigo se PEC do fim da escala 6x1 não avançar no Senado
Presidente do Senado reage e diz que ‘esse tipo de ameaça não será mais tolerado’








