Canella é um dos alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, que busca desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Arma apreendida no carro de Canella — Foto: PF RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 14:58 Ex-prefeito de Belford Roxo é preso em operação da PF no RJ O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella, foi preso pela Polícia Federal após encontrarem um fuzil em seu carro. A prisão integra a Operação Unha e Carne, que visa desarticular uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro através de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. A operação cumpre 19 mandados de busca e apreensão e investiga movimentações financeiras ilícitas que somam R$ 7,6 bilhões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, foi preso pela Polícia Federal após agentes encontrarem um fuzil em seu carro. Canella é um dos alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, que busca desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Ele foi apontado nas investigações como braço político do grupo criminoso. Segundo a investigação, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Polícia Federal. O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, também é alvo da operação. Segundo a PF, um fuzil calibre 5,56 foi encontrado no interior do veículo do Canella durante o cumprimento dos mandados. Por essa razão, ele foi autuado em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Policiais investigados Outro alvo da operação é o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, que integrou a equipe do ex-secretário Marcus Amim em diversas delegacias. Um levantamento da Polícia Federal aponta que ele seria proprietário, por meio de laranjas, de uma rede de postos de combustíveis. Outro investigado é o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, acusado de chefiar um grupo de milicianos na Baixada Fluminense. Ele foi preso em 2009 por associação criminosa e homicídio. Em 2023, após decisão judicial, deixou o sistema prisional e passou a cumprir pena em regime de livramento condicional. Jura foi excluído da Polícia Militar em 2011. Ao todo, agentes cumprem 19 mandados de busca e apreensão na capital e nos municípios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana; de Resende, no Médio Paraíba Fluminense. Foram determinados o sequestro de bens e valores de envolvidos, além da suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo. Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. E ainda é possível surgirem outras acusações no decorrer das apurações. A ação desta terça-feira está no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, segundo as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, conhecida como a ADPF das Favelas. Durante a ação, mais de dez veículos de luxo foram apreendidos em endereços nos bairros de Camboinhas e Piratininga, em Niterói. Entre os bens recolhidos estão uma Mercedes-Benz avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão, uma Land Rover Defender, uma BMW, um BYD, uma Ford Ranger, um Jeep, três Toyota Corolla e uma picape. Os veículos foram encaminhados para a sede da Polícia Federal. Material apreendido pela PF na casa de um dos alvos, em Niterói — Foto: PF Quem são os alvos? Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella (União Brasil), de 49 anos, foi eleito prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, em 2024. No início deste ano, ele renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, com apoio do PL de Flávio Bolsonaro. A vida política começou em 2012, quando Canella foi eleito vereador de Belford Roxo. Dois anos depois, elegeu-se deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Em 2016, foi eleito vice-prefeito de Belford Roxo. Dois anos depois, se reelegeu como deputado estadual. Durante a disputa pela Prefeitura de Belford Roxo, em 2024, Canella foi flagrado com uma arma de fogo na cintura durante um evento de campanha. O registro foi feito em um vídeo que viralizou nas redes sociais. Nas imagens, a arma aparece quando Canella levanta os braços para cumprimentar um apoiador. O mandato dele à frente da Prefeitura de Belford Roxo foi marcado pelo discurso voltado à segurança pública, com iniciativas como a instalação de câmeras de monitoramento em diferentes pontos da cidade. Ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella é levado para PF Já Marcus Amim ficou à frente da Polícia Civil entre 2023 e 2024. Ele deixou de ser secretário da pasta por uma decisão do então governador Cláudio Castro (PL). Antes, Amim esteve na presidência do Detran-RJ e levou vários policiais da equipe para o órgão. Pablo Russo era um deles. Russo ingressou na Polícia Civil em junho de 2003 e atualmente cumpre carga horária de 40 horas semanais como inspetor de polícia na 81ª DP (Itaipu). De acordo com dados do Portal da Transparência referentes a junho de 2026, as vantagens brutas do inspetor somam R$ 16.884,62 que, após os descontos obrigatórios e impostos, resultam em um salário líquido de R$ 9.647,44 — acrescido de R$ 8.040,31 como adiantamento do décimo terceiro. Os rendimentos regulares contrastam drasticamente com um levantamento da PF que aponta o policial como proprietário oculto de uma vasta rede de postos de gasolina; o esquema societário utilizaria "laranjas" e envolveria mais de 80 empresas, ativas e inativas, registradas em nome de seus parentes. O ex-PM Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, também está entre os alvos. Ele foi condenado a mais de 20 anos de prisão por homicídio e por chefiar um grupo criminoso conhecido como "Bonde do Jura". A denúncia do Ministério Público que resultou em sua condenação por associação criminosa também relatava que a milícia ameaçava de morte autoridades que "ousassem" investigar seus integrantes. Um dos alvos das ameaças foi o Marcelo Freixo, durante a CPI das Milícias. O nome de Jura foi citado no relatório final de CPI presidida pelo então deputado estadual. O documento apontava o ex-PM como chefe de um grupo formado por cerca de 70 integrantes, incluindo policiais militares, que atuava nos bairros Comendador Soares, Jardim Nova Era, Jardim Pernambuco, Palhada e Rosa dos Ventos, todos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O ex-policial militar já apareceu fazendo campanha lado a lado com Daniela Carneiro, a Daniela do Waguinho, e com o Canella, no período eleitoral de 2018. Daniela Carneiro, que se apresentava como Daniela do Waguinho, em campanha ao lado de Jura, em 2018 — Foto: Reprodução Corregedoria instaura inquérito A Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos. Em nota, ela informou que "acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta". "A instituição mantém mecanismos de controle interno voltados à apuração de irregularidades e colabora com os demais órgãos sempre que necessário. O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade", diz a nota. Em fase anterior, pastor preso Na quinta-feira passada, a PF havia realizado a quinta fase da Operação Unha e Carne. O objetivo foi apurar indícios de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Na ação, os agentes cumpriram três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Entre os alvos estavam o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho — ambos já presos —, e o pastor Márcio Poncio. A ação mirou ainda Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, contra quem a PF cumpriu apenas mandado de busca e apreensão. A quinta fase da operação começou após a apreensão de listas encontradas na cabeceira da cama de Adilsinho, contendo nomes de pelo menos 20 políticos de diversos partidos e espectros ideológicos que estariam recebendo mesada de Adilsinho. Segundo os investigadores, os documentos indicariam a existência de registros relacionados a doações eleitorais e movimentações contábeis ligadas à lavagem de dinheiro. A principal linha de apuração é a de uma possível "compra" de favores por meio do pagamento de propina a agentes políticos. As listas chamaram a atenção da Polícia Federal por apontarem possíveis repasses diretos de valores a integrantes da classe política do Estado do Rio.
Ex-prefeito Márcio Canella é preso pela PF após apreensão de fuzil em seu carro
Canella é um dos alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, que busca desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis










