Era uma visão comum nas ruas de São Paulo entre o final dos anos 1990 e meados da década de 2010 —uma águia de duas cabeças estampada em camisetas, moletons e bonés. O logotipo da Cavalera, à época a mais importante marca de moda de rua brasileira, vestia jovens e recém-chegados à idade adulta ligados à pulsação da cidade.
Com uma pegada rock'n'roll e estampas irreverentes —a exemplo de uma mulher seminua numa camiseta da rua Augusta ou capas de discos em que o nome da banda era substituído pelo da marca—, a Cavalera trouxe frescor para a moda brasileira antes da explosão da internet e das redes sociais.
A grife cresceu bastante, teve lojas em diversos shoppings e uma na rua de luxo Oscar Freire, mas fechou todos os pontos de venda em 2021, num momento em que sua influência na moda e sua preferência entre os consumidores estava em queda. Suas camisetas divertidas não interessavam mais aos jovens, que se voltaram para novas marcas nacionais de streetwear.
Agora, a Cavalera ensaia uma volta à cena com a abertura de uma loja no bairro de Pinheiros. Isto depois de desfilar uma vez em 2024 e, discretamente, manter uma arara de roupas dentro da barbearia da marca na Vila Madalena. Sim, dá para encontrar as camisetas que faziam a cabeça da galera no ponto de venda recém-inaugurado na rua Fernão Dias, mas o foco é outro.








