Em um comunicado ambíguo, o candidato derrotado das eleições no Peru, Roberto Sánchez, reconheceu o anúncio do JNE (Júri Nacional de Eleições) que declarou a vitória de Keiko Fujimori na corrida presidencial do início de junho, mas ainda assim mencionou as supostas irregularidades do pleito, sem apresentar provas.

"A democracia exige respeitar a institucionalidade, mas também exige defender a verdade", diz o documento assinado por Sánchez, presidente do Juntos pelo Peru, e líderes de outros dois partidos que formam a coalizão da oposição.

"Reconhecemos que o JNE tenha proclamado oficialmente os resultados eleitorais", afirmam, sem reconhecer expressamente a vitória de Keiko. "No entanto, isso não implica renunciar ao direito de apontar e denunciar as irregularidades que ocorreram durante o processo eleitoral, que são de conhecimento público e que, em nossa avaliação, afetaram o processo eleitoral."

A principal contestação de Sánchez diz respeito aos votos no exterior —justamente os que garantiram a vitória, na quarta tentativa, da filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000). O político baseia seu argumento no fato de que, diferentemente do que ocorreu no primeiro turno, no segundo os votos nos consulados não foram digitalizados antes de serem enviados ao Peru.