Em 2024, principal opositor de Putin morreu após ser envenenado com a toxina epibatidina, segundo afirmam governo britânico e outros aliados europeus; Rússia nega acusações da morte Alexei Navalny; opositor de Putin — Foto: Pavel Golovkin/AP O Reino Unido impôs nesta segunda-feira sanções contra dois institutos de pesquisa russos e altos funcionários que, segundo Londres, estão ligados ao programa de armas químicas de Moscou e participaram do desenvolvimento das toxinas usadas para envenenar Alexei Navalny, opositor russo de Vladimir Putin. As sanções, apresentadas pelo governo britânico como uma forma de expor e dissuadir o uso de armas químicas pela Rússia, foram anunciadas às vésperas da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que será realizada na capital turca, Ancara, e após uma medida semelhante adotada pela União Europeia. Em 2020, Navalny passou mal durante um voo na Sibéria, e laboratórios ocidentais concluíram que ele havia sido envenenado com um agente nervoso do grupo Novichok, uma classe de armas químicas de uso militar desenvolvida durante a era soviética. Em 2024, Navalny morreu após ser envenenado com epibatidina, uma toxina encontrada em rãs venenosas, segundo afirmam o Reino Unido e outros aliados europeus. A Rússia negou as acusações de que estaria por trás da morte. O governo britânico afirmou nesta segunda-feira que os indivíduos sancionados participaram do desenvolvimento tanto do agente Novichok quanto da epibatidina. A Embaixada da Rússia em Londres não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre as novas sanções. A ministra do Interior do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que o "uso repetido de armas químicas" pela Rússia viola o direito internacional e representa uma ameaça à segurança global. "Do uso de agentes nervosos Novichok em Salisbury ao emprego de epibatidina na Sibéria, envenenando Dawn Sturgess e Alexei Navalny, a Rússia continua utilizando instrumentos bárbaros para provocar morte e sofrimento a civis inocentes, inclusive na Ucrânia", declarou. O Novichok também foi usado no envenenamento, em 2018, do ex-agente duplo russo Sergei Skripal e de sua filha, Yulia, na cidade inglesa de Salisbury. Eles sobreviveram ao ataque, mas a substância acabou provocando a morte da civil Dawn Sturgess, que posteriormente entrou em contato com um recipiente descartado contendo o agente químico. Uma investigação pública britânica concluiu no ano passado que Vladimir Putin deve ter ordenado o ataque contra Skripal, executado por agentes da inteligência militar russa (GRU). A Rússia sempre negou qualquer envolvimento nesse episódio e classificou as acusações como propaganda antirrussa.