GSMA reuniu especialistas para debater novos cenários de conectividade e apresentou recomendações para impulsionar a inclusão e a inovação no país John Giusti, Chief Regulatory Officer da GSMA, durante abertura do evento em São Paulo — Foto: Felipe Iruatã Com a presença de autoridades públicas, lideranças corporativas, acadêmicos e representantes de organizações internacionais, a primeira edição latina do Digital Nation Summit apontou importantes caminhos para a formação de novos cenários de conectividade no Brasil. Realizado em São Paulo, pela GSMA, associação global que representa as principais empresas do ecossistema de telefonia móvel, o evento teve como ponto de partida a formação de ambientes de negócio orientados por objetivos compartilhados de inovação e crescimento. O alinhamento das atividades de diversas camadas de stakeholders foi reforçado por John Giusti, Chief Regulatory Officer da GSMA, na abertura do evento. “O diálogo entre o poder público e a iniciativa privada foi essencial para impulsionar os movimentos de transformação digital no Brasil. O amadurecimento desse ciclo está diretamente ligado à criação de uma agenda coordenada que incentive a chegada de novos investimentos no setor, promovendo a inovação e a inclusão digital de maneira contínua”, afirmou. Carlos Baigorri, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ressaltou a necessidade de eliminar as lacunas de uso geradas por déficits educacionais e custos de aquisição de smartphones. “O desafio é fazer com que a rede disponível seja usada pelas pessoas de forma realmente transformadora. Esse aspecto é fundamental para que o Brasil possa dar um salto de competitividade e aproveitar a janela de oportunidade que vem sendo revelada pela inteligência artificial”, explicou Baigorri. Carlos Baigorri, presidente da Anatel, defendeu a necessidade de eliminar lacunas de uso — Foto: Felipe Iruatã Diante desse panorama, Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis, destacou a crescente demanda por talentos. “O país já possui uma infraestrutura de cobertura robusta e abrangente. O que precisamos agora é dar o próximo salto de progresso, preparando empresas e profissionais para atuar em um mercado cada vez mais ágil e digitalizado”, disse. Inclusão Em um país marcado por grandes assimetrias sociais, o avanço da conectividade pode se consolidar como um vetor crucial de redução de desigualdades — uma pesquisa da GSMA apresentada durante o evento aponta que a presença do 4G no Brasil gerou uma redução de até 5% na pobreza nos municípios com os maiores níveis de pobreza, além de um aumento de até US$ 13 na renda mensal por pessoa em municípios rurais. “A conectividade móvel tem se mostrado cada vez mais decisiva para a coesão econômica e para a ascensão social de camadas mais vulneráveis da população”, explicou Facundo Rattel, economista da GSMA Intelligence. O evento foi marcado pela apresentação do relatório “Brasil 2030: Conectividade, Inovação e Soberania”, que reúne uma série de recomendações para preencher lacunas digitais, priorizar investimentos e estimular a inovação digital no mercado brasileiro. Lucas Gallitto, diretor da GSMA para a América Latina e Caribe, destacou os insights do documento. “O futuro digital não é um destino que está garantido, mas que precisa ser construído”, afirmou. Longo prazo Alexandre Freire, vice-presidente da Anatel, compartilhou os esforços que vêm sendo realizados para a criação de um ambiente regulatório aderente aos movimentos globais de inovação e digitalização. “A segurança jurídica e a previsibilidade são fundamentais para atrair investidores e facilitar a atuação coordenada entre as instituições do setor. A partir desse posicionamento, o objetivo é encontrar caminhos que contemplem os aprendizados de experiências passadas sem abandonar a ousadia de projetar cenários futuros”, disse Freire. Fechando a discussão, Juliano Stanzani, diretor do Departamento de Política Setorial do Ministério das Comunicações, abordou a necessidade de elaborar roadmaps pautados pela melhoria contínua e pela consolidação de legados de longo prazo. “Ao atingir praticamente a universalização de acesso, o Brasil formou um ambiente de conectividade extremamente significativo. O desafio é não permitir que os avanços conquistados se desgastem e explorar esse potencial efetivamente em nosso favor”, concluiu. _____ Relatório da GSMA aponta caminhos para o Brasil até 2030 Lucas Gallitto, diretor da GSMA para a América Latina e Caribe, apresenta dados do relatório “Brasil 2030” — Foto: Felipe Iruatã Direcionado aos candidatos à presidência da República, o relatório "Brasil 2030: Conectividade, Inovação e Soberania", da GSMA, apresenta uma visão estratégica sobre a agenda nacional de transformação digital, abordando desafios em áreas como infraestrutura, regulação, inteligência artificial, cibersegurança, letramento digital e captação de investimentos. Entre os principais pontos destacados está o protagonismo do mercado de telecomunicações na economia brasileira. Com mais de R$ 36,3 bilhões investidos no último ano, o setor representa atualmente 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando aproximadamente 1,7 milhão de empregos diretos. A atuação das companhias do segmento foi crucial para que o Brasil superasse a marca de 94% da população coberta por redes móveis, consolidando-se como um dos líderes globais no desenvolvimento de 5G. “A mensagem mais forte do relatório é a importância de que as políticas futuras não revertam nem diluam os avanços que já se traduziram em benefícios concretos tanto para a economia quanto para os consumidores. Isso foi possível graças a decisões de política pública consistentes e adequadas e a uma indústria que respondeu com investimento, expansão de redes e aceleração da conectividade sempre que houve incentivos regulatórios adequados”, afirmou Lucas Gallitto, diretor da GSMA para a América Latina e Caribe. Para sustentar a evolução desse cenário, o relatório apresenta um conjunto de diretrizes fundamentais para o governo seguinte, destacando a redução de lacunas de acesso e uso, o fortalecimento dos incentivos ao investimento e a criação de um ambiente favorável à inovação. Os gargalos podem ser constatados nas assimetrias de cobertura e de uso de banda larga móvel registradas no país: enquanto 68% dos brasileiros estão plenamente conectados à banda larga móvel, 6% residem em áreas não cobertas e 26% vivem em zonas de cobertura, mas ainda não utilizam o serviço. Diante desses desafios, o documento também ressalta a relevância das frentes de educação e letramento digital, assim como a elaboração de políticas tributárias que favoreçam a inclusão e a modernização do ecossistema de negócios brasileiro. O relatório também defende uma negociação equilibrada entre os atores do ecossistema digital e a continuidade de uma política de espectro com segurança jurídica e sem abordagens arrecadatórias. “Com visão, coordenação e um ambiente favorável ao investimento, o Brasil pode acelerar significativamente seu próximo ciclo de digitalização”, conclui o executivo.