Novos bombardeios ocorreram dias após o ataque mais letal do ano contra a capital ucraniana Equipes de resgate tentam encontrar sobreviventes após ataque russo a Kiev — Foto: REUTERS/Oleksandr Ratushniak A Rússia lançou uma intensa ofensiva com mísseis e drones contra Kiev nas primeiras horas desta segunda-feira, matando 12 pessoas, segundo as autoridades locais. Os novos bombardeios ocorreram dias após o ataque mais letal do ano contra a capital ucraniana, que tem tido dificuldades em se defender devido à escassez de interceptadores de fabricação americana. O pesado bombardeio noturno ocorreu às vésperas da cúpula da Otan na Turquia, nesta semana, onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em uma nova tentativa de impulsionar o fim da guerra, agora em seu quinto ano. Dados da Força Aérea da Ucrânia mostraram que o país não conseguiu interceptar nenhum dos 23 mísseis balísticos disparados pela Rússia, evidenciando a escassez crítica de interceptadores de fabricação americana. O país conseguiu interceptar outros 37 mísseis e mais de 90% dos drones utilizados no ataque. Moscou intensificou sua campanha aérea neste ano à medida que o avanço de suas tropas no campo de batalha desacelerou e também em resposta aos ataques da Ucrânia à infraestrutura energética da Rússia, que tem provocado problemas no fornecimento de combustíveis e pressionado o presidente Vladimir Putin. Zelensky tem afirmado reiteradamente que a Ucrânia precisa de mais interceptadores para os sistemas de defesa aérea Patriot, de fabricação americana — a única arma de seu arsenal capaz de derrubar com eficácia mísseis balísticos, cuja alta velocidade e trajetória íngreme dificultam a interceptação. O presidente ucraniano pediu "decisões firmes" na cúpula da Otan, que começa na terça-feira, em Ancara, para garantir que a Ucrânia tenha condições de se defender. "Enquanto mísseis Patriot permanecerem nos estoques de nossos aliados, a Rússia continuará sendo incentivada a destruir edifícios residenciais", escreveu Zelensky no X. "Os Estados Unidos e a Europa têm o poder de deter esse terror." Enquanto as operações de resgate prosseguiam pela manhã, equipes de emergência procuravam moradores entre os escombros dos edifícios destruídos pelo bombardeio. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que o número de mortos na capital subiu para 12 e que mais de 50 pessoas ficaram feridas na cidade. O ataque ocorreu poucos dias depois de outro bombardeio russo contra Kiev, na quinta-feira, que matou 31 pessoas e foi o mais letal do ano contra a capital. Segundo autoridades, cerca de 30 prédios residenciais sofreram danos graves, entre eles um edifício de nove andares no histórico distrito de Podilskyi, que ficou praticamente destruído do quinto pavimento para cima. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou nesta segunda-feira que suas forças realizaram um ataque "massivo" contra Kiev e outros locais utilizando armas de alta precisão de longo alcance lançadas por ar, terra e mar, além de drones. Segundo o ministério, instalações militares e do setor de energia foram atingidas em Kiev e na região ao redor da capital, assim como bases aéreas militares em diversas outras regiões da Ucrânia. Jornalistas da Reuters relataram uma série de explosões em Kiev e arredores e disseram que os sistemas de defesa aérea estavam em ação para tentar repelir drones russos. Nos últimos meses, a Ucrânia conseguiu desacelerar o avanço russo ao longo da linha de frente de cerca de 1.200 quilômetros, retomou território em algumas áreas e intensificou seus próprios ataques em profundidade contra o território russo, concentrando-se principalmente em alvos da infraestrutura energética. No sábado, Zelensky e as Forças Armadas da Ucrânia negaram uma afirmação da Rússia de que havia capturado a estratégica cidade de Kostiantynivka, no leste do país. Analistas afirmam que a tomada de Kostiantynivka — a cidade mais ao sul de uma série de centros urbanos fortificados que compõem o chamado "cinturão de fortalezas" da região de Donetsk — daria às forças russas uma base para avançar rumo ao norte. A Ucrânia lançou novos ataques com drones contra a Rússia, danificando os portos bálticos de Vysotsk e Ust-Luga, importante terminal de exportação de petróleo, segundo autoridades russas. Os ataques ucranianos também provocaram um apagão na cidade de Sebastopol, na Crimeia, sede da Frota Russa do Mar Negro. A vizinha Polônia, integrante da Otan e da União Europeia, mobilizou temporariamente caças como medida preventiva. 06/07/2026 07:41:25