A Rússia bombardeou cidades em toda a Ucrânia com centenas de drones e dezenas de mísseis na madrugada desta terça-feira (2), em ataques que mataram ao menos 18 pessoas e deixaram mais de 100 feridos, segundo autoridades. Os ataques contra cidades como Kiev e Dnipro ocorreram após advertências russas de que realizariam ofensivas “sistemáticas” contra a capital ucraniana. Moscou atribuiu a ameaça a um ataque com drones contra um dormitório na região ucraniana de Luhansk, ocupada pela Rússia, no mês passado — ação que Kiev nega ter realizado. Foi o terceiro grande ataque contra Kiev em menos de um mês. A Rússia intensificou os bombardeios contra o país vizinho, que invadiu em 2022, enquanto Washington concentra atenção na guerra com o Irã e as negociações mediadas pelos EUA sobre a guerra na Ucrânia permanecem estagnadas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia lançou 73 mísseis e mais de 600 drones durante a noite e voltou a pedir aos Estados Unidos o envio de mais interceptadores Patriot para reforçar os estoques cada vez mais escassos da Ucrânia. “Este foi um ataque em larga escala e uma declaração absolutamente clara da Rússia: se a Ucrânia não for protegida contra ataques com mísseis balísticos e outros tipos de mísseis, esses ataques continuarão”, escreveu Zelensky no Telegram. O Kremlin afirmou nesta terça-feira que a guerra entrou em “um novo paradigma” após o que chamou de “atos desumanos de terror” cometidos pelas forças ucranianas contra civis. Na semana passada, Moscou advertiu sobre ataques sistemáticos e recomendou que estrangeiros deixassem Kiev. Zelensky enviou na semana passada uma carta ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao Congresso americano solicitando sistemas de defesa aérea. Até segunda-feira, autoridades afirmavam que ele ainda não havia recebido resposta. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, pediu que os aliados adotem “medidas concretas” para ajudar o país e aumentar a pressão sobre Moscou. “Os esforços de paz só terão sucesso quando forem respaldados por pressão real sobre Moscou”, escreveu Sybiha na rede X, defendendo sanções mais duras e mais apoio militar. Um bombeiro trabalha no local de uma oficina mecânica danificada durante ataques com mísseis e drones russos, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia , em Kiev, Ucrânia , em 2 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko “Algum tipo de apocalipse” A guerra da Rússia na Ucrânia já matou dezenas de milhares de pessoas, deslocou grande parte da população e devastou cidades e vilarejos. Moscou controla cerca de um quinto do território ucraniano. A Ucrânia também atingiu alvos civis na Rússia ou em áreas ocupadas pelos russos, embora em escala muito menor. Ambos os lados negam atacar deliberadamente civis. Fotografias divulgadas nesta terça-feira mostravam grandes explosões e colunas de fumaça sobre prédios residenciais em Kiev, onde seis pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas, incluindo três crianças, segundo o prefeito da capital. “Não conseguíamos entender o que estava acontecendo, algum tipo de apocalipse?”, disse Olha Mudra, com o rosto e as roupas cobertos de poeira, ao lado da filha Natalia, de seis anos, no local de um dos ataques. “Tudo estava coberto de destroços, tudo tomado por fumaça. Não dava para enxergar nada”, afirmou, diante de um prédio residencial destruído e carros danificados. Em Dnipro, no sudeste do país, 12 pessoas morreram, entre elas dois meninos, após a destruição parcial de um edifício residencial de quatro andares, segundo autoridades locais. Kiev foi o principal alvo dos ataques. Pelo menos nove edifícios residenciais, um jardim de infância, uma clínica, escritórios e prédios administrativos foram danificados. A ofensiva também deixou temporariamente sem energia cerca de 140 mil moradores da capital, informou a empresa de energia Dtek. Milhares de pessoas buscaram abrigo no metrô de Kiev, muitas carregando animais de estimação, pertences e colchões. Centenas de drones e mísseis A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou 656 drones e 73 mísseis, incluindo 33 mísseis balísticos e oito mísseis hipersônicos Zircon, aparentemente o maior número desse tipo de armamento utilizado durante a guerra. Segundo Moscou, o Zircon tem alcance de 1.000 quilômetros e pode atingir velocidade nove vezes superior à do som. A Força Aérea ucraniana afirmou ter derrubado ou neutralizado 40 mísseis e 602 drones, mas não incluiu os Zircon entre os armamentos interceptados. O Ministério da Defesa da Rússia informou ter realizado um “ataque maciço” contra instalações da indústria de defesa ucraniana utilizando armas de alta precisão de longo alcance. Na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, um dos feridos foi uma criança, segundo autoridades locais. A Polônia, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), informou que mobilizou aviões militares para proteger seu espaço aéreo após os ataques russos contra a Ucrânia. Regiões russas também foram alvo de ataques. A refinaria de petróleo de Ilsky, na região de Krasnodar, no sul da Rússia, pegou fogo após um ataque de drones, segundo autoridades locais. O Exército ucraniano confirmou a ação. Na região russa de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, um menino de 11 anos ficou ferido após um drone ucraniano atingir uma residência, informaram autoridades locais. A Rússia afirmou ter derrubado 148 drones ucranianos durante a noite. Sistemas de defesa aérea também repeliram drones sobre Sebastopol, na Crimeia ocupada pela Rússia, segundo autoridades locais. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente todas as informações divulgadas por ambas as partes. Um morador observa o local de um ataque com drones e mísseis russos, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia , em Kiev, Ucrânia , em 2 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer
Rússia intensifica ataques contra Ucrânia e mata ao menos 18 pessoas
Bombardeios contra Kiev e Dnipro ocorreram após advertências russas de que realizariam ofensivas “sistemáticas” contra a capital ucraniana













