Comércio irregular começam a cercar quiosques e barracas legalizadas, entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Camelôs irregulares ocupam calçadão tombado da Praia de Ipanema, próximo ao Arpoador: quiosque está cercado por ambulantes — Foto: Guito Moreto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/07/2026 - 22:43 Crescimento do Comércio Ilegal na Orla de Ipanema Ameaça Economia Local A orla de Ipanema enfrenta um aumento no comércio ilegal, especialmente entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila, lembrando a situação de Copacabana. Camelôs ocupam calçadões e areia, vendendo de caipirinhas a artesanato, causando preocupações de moradores e comerciantes. Apesar de operações da Guarda Municipal, a presença de ambulantes persiste, impactando negócios legalizados e gerando insegurança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com o comércio ilegal cercando barracas e quiosques licenciados, a orla de Ipanema começa a dar sinais de “copacabanização”. Cada vez mais, camelôs se espalham, especialmente no trecho da Avenida Vieira Souto entre o Arpoador e a Rua Garcia D’Ávila, muito frequentado por turistas. Uma realidade que não se restringe a fins de semana e feriados. Em dias úteis, a desordem estende-se pela noite. No calçadão recém-tombado, a maior concentração de vendedores irregulares é junto à estátua do maestro Tom Jobim, próximo à cancela de entrada do Arpoador, que, aliás, ganhou um respiro no início do ano com a proibição de acesso à Pedra a partir das 21h. Salão à beira-mar Carrocinhas de bebidas, que têm como carro-chefe a caipirinha — vendida de R$ 20 a R$ 50, dependendo do tamanho do copo —, proliferam no calçadão de Ipanema. A elas se somam camelôs que oferecem churrasquinho, açaí, milho verde, coco, cangas, biquínis, camisetas, lembranças do Rio e artesanato. Nas redes sociais, até um barbeiro é visto cortando o cabelo de um banhista entre os postos 7 e 8. Não faltam ainda vendedores de chapéus, a preços entre R$ 70 a R$ 150. A ocupação da areia e do calçadão por atividades irregulares tem sido objeto de queixas à Associação de Moradores e Amigos de Ipanema (Amai), segundo o seu presidente, Carlos Monjardim: — Estamos preocupados que a orla de nosso bairro acabe como a de Copacabana. Temos encaminhado reclamações constantes à Subprefeitura e à Secretaria de Ordem Pública (Seop), que fazem operações, mas elas não têm sido suficientes para conter o crescimento do comércio ilegal na praia. De barbeiro à caipirinha: o início da 'copacabanização' de Ipanema Ao percorrer a orla quarta e quinta-feira da semana passada, O GLOBO constatou que o quiosque Alalaô de Ipanema — instalado na área onde fica a estátua de Tom Jobim — funcionava ladeado por camelôs, no início da noite. Cantores informais se apresentavam com violão, microfone e caixas de som. Estacionados sobre o calçadão, havia uma viatura da Guarda Municipal, na quarta-feira, e uma da PM, na quinta. No local, na quarta-feira, por volta de 18h30, a equipe de reportagem presenciou uma cena de violência. Um jovem numa bicicleta foi derrubado e agredido com socos. Saiu pedalando após ser advertido. — Aqui não se permite ladrão — gritou um homem. Sócio do Alalaô, Marcus Wagner lamenta ter que enfrentar a concorrência de camelôs irregulares que se instalam ao redor de seu quiosque, onde acontecem atividades culturais, como exposições de arte e rodas de salsa e samba: — Eles ficam em volta e prejudicam muito nossa operação. Não respeitam regra alguma. Colocam música alta até mais tarde. Normalmente, quando vem a blitz da Guarda Municipal, fogem. Só que a fiscalização vai embora, e eles voltam. Não posso dizer que todos não têm autorização, mas 99% não são licenciados Ainda segundo Wagner, “alguns abusados chegam a vender na fila do quiosque”: — A pessoa, às vezes, está na fila para comprar uma cerveja, e eles chegam vendendo cerveja, que não se sabe a origem, por um preço que eles estabelecem. Esses camelôs não pagam imposto. Nós pagamos, cumprimos normas e somos fiscalizados. Mais adiante, no calçadão e na areia da Avenida Delfim Moreira, no Leblon, não são vistos tantos camelôs durante dias úteis. A maior queixa de comerciantes como Andrea Tinoco, sócia do Pato com Laranja, é a falta de segurança. Ela lembra um episódio envolvendo um ambulante: — O meu sócio estava sentado numa cadeira na areia, veio um garoto vender chiclete, que roubou o celular dele. Os ambulantes ilegais às vezes são assaltantes. A orla tinha que ter mais policiamento. Balas e chicletes Na orla de São Conrado, Barra e Recreio, também se acham camelôs irregulares em calçadões e areia. Contudo, são os vendedores de balas e chicletes os que mais preocupam Roberto Almeida, sócio do quiosque Bells, entre os postos 9 e 10 no Recreio: — Há os caras do açaí, do milho, da caipirinha. Mas a galera que vende bala e chiclete, que fica perambulando entre nossas mesas, é a pior. Os clientes estão tomando uma cerveja, almoçando, conversando, e esses camelôs entram no quiosque e abordam as pessoas. Às vezes, colocam a balinha em cima de um celular, e acabam roubando o aparelho.