A estudante Laura Dias, 32, nasceu na década de 1990, no interior da Bahia. Na época, o teste do pezinho começava a ser implementado no Brasil como programa de triagem neonatal e rastreava inicialmente duas doenças: fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. A mãe dela, Maria Clélia, 56, não conhecia o exame, e o médico não o solicitou na maternidade.
O diagnóstico de fenilcetonúria só veio quando Laura tinha cerca de 5 anos, depois que a mãe percebeu atrasos importantes no desenvolvimento. Quando bebê, a menina não engatinhava, não sustentava o pescoço, não falava e demorou a andar. O diagnóstico tardio resultou em deficiência intelectual. Não foi alfabetizada e depende da família nos cuidados diários.
A irmã mais nova, Ana Luiza, 16, teve um destino diferente. Fez o teste do pezinho logo após o nascimento, em São Paulo, e com isso recebeu diagnóstico precoce e tratamento imediato para a mesma doença. Não desenvolveu deficiência intelectual.
As irmãs vivem realidades distintas dentro da mesma casa. Ana segue a rotina típica da adolescência, com estudos e atividades extracurriculares de canto e atuação. Laura, mesmo adulta, precisa de cuidados contínuos da família no dia a dia, além de acompanhamento de saúde.









