Energia eólica offshore tem apelo no Japão, país insular — Foto: Nicholas Doherty/Unsplash A petroleira britânica BP avalia deixar um projeto de parque eólico offshore na costa do norte do Japão, que desenvolveria em parceria com empresas japonesas, apurou o "Nikkei Asia". Embora o consórcio liderado pela Marubeni deva manter o empreendimento, a saída de uma grande empresa estrangeira representa um revés para o desenvolvimento da energia eólica offshore no país. Segundo diversas fontes, a BP iniciou discussões com os demais integrantes do consórcio sobre sua retirada. A sede da companhia no Reino Unido informou ao "Nikkei Asia" que nenhuma decisão foi tomada até o momento. Na tentativa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e ampliar a segurança energética, o governo japonês e o setor privado têm apostado na energia eólica offshore como um dos pilares da transição para fontes renováveis. Cercado pelo mar, o Japão é considerado um mercado com elevado potencial para esse tipo de geração. Em dezembro de 2024, Marubeni, Kansai Electric Power, BP, Tokyo Gas e a construtora local Marutaka venceram a terceira grande licitação pública para instalação de turbinas eólicas na costa de Yuza, na província de Yamagata. Em novembro do ano passado, o grupo apresentou o plano detalhado do projeto, cuja entrada em operação está prevista para junho de 2030. A BP detém cerca de 25% da empresa de propósito específico criada para desenvolver o empreendimento, participação semelhante à da Kansai Electric. Apenas a Marubeni possui uma fatia maior. A expectativa é que os demais sócios absorvam a participação da BP, permitindo a continuidade do projeto. Em agosto de 2025, a BP integrou sua operação global de energia eólica offshore à da JERA, maior operadora de usinas termelétricas do Japão, criando a joint venture JERA Nex bp, com participação igualitária das duas empresas. No entanto, o projeto de Yamagata foi conquistado antes dessa integração e vinha sendo conduzido diretamente pela matriz britânica da BP. Antes da união com a BP, a JERA havia vencido licitações para projetos nas províncias de Aomori e Akita, também no norte do Japão, que foram transferidos para a nova empresa. Já o projeto de Yamagata não pôde ser incorporado da mesma forma, e a BP teria concluído que seria difícil seguir adiante sozinha. A companhia pretende continuar atuando no mercado japonês de energia eólica offshore por meio da joint venture. O setor enfrenta dificuldades crescentes no Japão. Em agosto do ano passado, uma joint venture entre a Mitsubishi Corporation e a Chubu Electric Power anunciou a desistência de três projetos nas províncias de Chiba e Akita. Apesar de terem vencido a primeira grande licitação promovida pelo governo, as empresas decidiram abandonar os empreendimentos diante da forte alta dos custos de construção. No mês passado, a petroleira norueguesa Equinor também anunciou sua saída do Japão. Embora não tivesse projetos em desenvolvimento no país, a empresa desistiu de expandir seus negócios, em meio à falta de perspectivas de rentabilidade para futuros investimentos. Mesmo assim, o governo japonês mantém a expansão da energia eólica offshore como prioridade. O plano básico de energia prevê elevar a participação da fonte na matriz elétrica de 1,1% no ano fiscal de 2023 para entre 4% e 8% até o ano fiscal de 2040. Ao mesmo tempo, diminuem as áreas adequadas para novos parques eólicos em terra. Com a desistência do consórcio liderado pela Mitsubishi em três das nove áreas licitadas pelo governo, esses projetos tiveram de ser relicitados. Caso a BP deixe o empreendimento de Yamagata, será a primeira retirada de um participante entre os seis projetos restantes. Entre as empresas estrangeiras ainda presentes no mercado japonês, a espanhola Iberdrola participa de um projeto liderado pela Eneos na província de Akita, enquanto a alemã RWE integra um consórcio comandado pela Mitsui & Co. na província de Niigata. Uma eventual redução dos investimentos estrangeiros poderá obrigar as empresas japonesas a reavaliar a continuidade dos projetos, diante do aumento dos custos e da necessidade de assumir uma parcela maior dos investimentos.