Por muito tempo, o Brasil pareceu um chiclete velho, cansado, já sem sabor de tão mastigado pela boca treinadora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O técnico do Brasil, Carlo Ancelotti, na derrota do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo — Foto: Pedro UGARTE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/07/2026 - 21:13 Derrota do Brasil para Noruega expõe fragilidades sob Ancelotti A seleção brasileira, comparada a um chiclete velho e sem sabor, teve uma atuação apática contra a Noruega, destacando as limitações de um projeto apressado sob o comando de Ancelotti. A derrota evidenciou a falta de criatividade e energia do time, que não conseguiu superar os rivais apesar das chances criadas. Neymar se despediu da seleção de forma melancólica, enquanto Ancelotti, visto como impotente, simboliza o fim de um ciclo decepcionante. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O personagem desta semana é a goma de mascar. Ela, que pareceu tão genial e inspiradora na semana passada, teve uma péssima tarde de domingo em Nova Jersey. Não conseguiu produzir seus fluidos criativos. Não pôde hipnotizar o treinador adversário. Ela ficou ali, sendo mascada por Carlo Ancelotti como um chiclete anódino, por 100 longos minutos. Cabia a ela trazer ideias diferentes. Ou inspirar algum tipo de energia numa equipe que pareceu completamente apática durante toda a partida. A seleção brasileira assistiu à Noruega tocar a bola durante quase todo o jogo como se fosse espectadora de seu próprio filme. Talvez tenha sido o calor — mas como a marcação pode soar tão distante, tão frouxa? Por muito tempo, o Brasil pareceu um chiclete velho, cansado, já sem sabor de tão mastigado pela boca treinadora. Com toda sua experiência, não sabia Ancelotti que escalar Martinelli enfraqueceria a já porosa marcação de nosso meio-campo — e deixaria Odegard desfilar em campo? Como explicar uma seleção tão pálida, tão morosa, tão passiva? A tradicional tranquilidade de Ancelotti, aquela incrível capacidade de acertar em silêncio, pareceu se transformar em falta de energia. A estrela do técnico se apagou sob o sol americano — e a atuação abaixo da crítica da seleção talvez só tenha sublinhado o fim de um ciclo terrível. De um time que só gerou alguma esperança durante a Copa. Essa esperança se construiu em alicerces frouxos. Escócia e Haiti são times fraquíssimos. O insosso Japão só foi derrotado no último minuto. A fé vinha justo e apenas da sensação de que o Brasil como zebra poderia surpreender. Foram anos caóticos do Brasil e da CBF — com uma roleta de treinadores e cartolas — e uma safra de jogadores sem grandes laterais nem meias criativos. Ancelotti tentou usar a experiência para construir o escrete possível — e deu azar de perder Paquetá quando seu time ameaçava encaixar. E ontem, pela primeira vez, o Brasil enfrentou uma seleção que tinha jogadores de primeira prateleira do futebol mundial. Haaland e Odegard resolveram o jogo para os noruegueses — porque são ótimos. Ambos seriam titulares aqui. Ainda assim, o Brasil teve suas chances. Foram algumas e muito boas. E aí o chiclete encaminhou Ancelotti para o engano. Lançou Endrick — que perdeu o gol cristalino, o gol imperdível. E a seguir lançou Neymar. O Brasil, que já marcava pouco e longe, passou a marcar ainda menos. Meio Brasil pedia Neymar. O que Neymar produziu em 30 minutos? No mar de marasmo do segundo tempo, talvez esqueçamos do pênalti perdido, do chute de Vinicius que o goleiro defendeu com o pé, do lance de Martinelli que o goleiro salvou quase sem querer, do cruzamento de Casemiro no fim, da incrível bola na trave. Esse lance, por si só, nos anunciou, ecoando outro tempo: não era o dia do futebol brasileiro. Por fim, Neymar se despediu da seleção com tristeza, perdendo tempo para discutir com o goleiro norueguês antes e depois de bater o pênalti inútil — e chorando arrasado no gramado. Em nosso vídeo de despedida, essa imagem é editada com a caminhada de Ancelotti ao fim do jogo. De terno escuro, colete e gravata pretas, ele cruza o gramado, ergue Vini Junior e em passo lento segue. A goma de mascar está no fim — e ele penetra no derradeiro vestiário como o coveiro involuntário de seu próprio funeral. O Brasil não perdeu por causa de Ancelotti. Mas ontem o treinador pareceu amorfo como seu time. E uma seleção amorfa e anódina... talvez nos machuque mais que a própria eliminação.