Criada para proteger atletas diante do calor extremo, a pausa para hidratação tem origem legítima e revela como a crise climática já interfere no futebol. Mas sua adoção obrigatória durante a Copa do Mundo expõe um paradoxo: em vez de ajudar o público a entender por que o jogo precisa parar, o intervalo tem sido tratado sobretudo como mais uma janela comercial —provocando rejeição.
O público vaia a interrupção. Treinadores questionam a forma como a regra foi aplicada. É o efeito direto de não tratar o momento como o que ele é: uma parada biologicamente necessária e que poderia ser educativa.
Na maior Copa da história, com 104 partidas e emissões estimadas em 9 milhões de toneladas de CO2 (segundo a Scientists for Global Responsibility), as interrupções representam mais de dez horas de espaço programado ao longo do torneio. Mesmo com todo esse tempo disponível, a crise climática –e os modos concretos como ela atrapalha o jogo– está longe de ser assunto.
Se a pausa existe porque o futebol precisa se adaptar a um planeta mais quente, a Fifa deveria comunicar isso ao público. Explicar por que torcedores passam mal nas arquibancadas, atletas têm seu desempenho afetado, gramados sofrem e seleções adotam medidas como coletes de resfriamento. Deveria, ainda, mostrar que os investimentos em adaptação e sustentabilidade serão cada vez mais necessários.







