Nascida em Mato Leitão, no interior do Rio Grande do Sul, Marcelly Malta Lisboa teve a ajuda de freiras franciscanas para estudar e trabalhar como enfermeira na Santa Casa de Porto Alegre, para onde foi na adolescência. Era um sonho de infância, inspirado pelo contato com uma tia que tinha a mesma profissão e estava sempre de branco.
Além dos plantões hospitalares, Marcelly foi prostituta nas ruas e boates da capital gaúcha, onde conheceu travestis glamourosas e assistiu shows espetaculares, mas também enfrentou a violência e a discriminação.
Foi o início da trajetória da ativista pioneira do movimento trans e travesti no Rio Grande do Sul, morta neste sábado (4), aos 75 anos, em Porto Alegre. A morte foi informada pela ONG Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, que ela fundou no final da década de 1990.
"Marcelly foi uma mulher travesti de coragem, força e dignidade. Uma guerreira incansável na luta pelos direitos da população trans e travesti do Brasil, que deixou sua marca por meio da resistência, do acolhimento e da defesa de uma sociedade mais justa e igualitária", diz a nota divulgada pela ong.
Em 2011, aos 60 anos, quando presidia o Conselho Municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de Porto Alegre, ela conseguiu juridicamente o direito de retificar o nome no registro civil, uma conquista que abriu portas para outras pessoas trans do país inteiro fazerem o mesmo.






