Popularização de ferramentas leva a disseminação de conteúdos do tipo nas redes sociais e a novo desafio para a Justiça Eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Mar de santinhos' em ruas próximas aos locais de votação em São João de Meriti, na Baixada Fluminense — Foto: Domingos Peixoto/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/07/2026 - 15:46 IA Revoluciona Criação de Jingles Políticos, Revela O GLOBO O GLOBO testou uma ferramenta de IA para criar jingles políticos, revelando a facilidade de produzir conteúdo sem conhecimento musical prévio. Em minutos, surgiu “Joãozinho da Galera”, candidato fictício, com um jingle de pagode. O TSE impôs regras para uso de IA nas campanhas, exigindo transparência sobre a criação de conteúdos e proibindo certos usos próximos às eleições. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os jingles eleitorais criados com auxílio de inteligência artificial são impulsionados pela facilidade com que podem ser criados, mesmo por quem não entende nada do assunto. O GLOBO testou uma ferramenta popular, a partir de uma conta gratuita, para comprovar o método. O processo todo levou menos de cinco minutos e não exigiu nenhum conhecimento musical prévio, nem talento para composição da letra. Assim surgiu o candidato fictício “Joãozinho da Galera”, que tem planos de concorrer a deputado federal nas próximas eleições. Os versos foram criados automaticamente, a partir de um comando simples que envolveu “jingle eleitoral em português do Brasil” e orientações para a canção ser “alegre, descontraída e confiante” e que descrevesse o personagem “como alguém do povo, que vai trabalhar incansavelmente em Brasília pelos seus eleitores e rumo ao progresso”. O GLOBO testa ferramenta para criar jingle de candidato fictício; ouça Após essa etapa, a ferramenta assumiu a tarefa de dar complexidade à música. “Ritmo de pagode” foi o comando dado pela reportagem, que retornou o seguinte: “Groove de pagode com cavaquinho (estilo partido-alto), repique de mão, tantã, pandeiro e surdo sustentando uma base sincopada a 96 BPM. Acordes curtos e limpos de violão, baixo com técnica de palm-muting e sonoridade arejada, além de vocais em grupo com dinâmica de pergunta e resposta…” e mais um pouco. O resultado tem dois minutos e 49 segundos de duração com sequência de versos e entonação que, apesar de não soarem muito inspirados, não entregam facilmente a artificialidade do projeto. As principais informações aparecem no refrão, como o nome do candidato e o cargo pretendido, e tudo sem gastar um centavo na produção. A ferramenta não exige identificação alguma, com os aspectos legais restritos a um aviso que menciona a proteção a direitos autorais. Regras para a IA O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu novas regras este ano para o uso da inteligência artificial pelas campanhas. No caso dos jingles, vale a diretriz geral de que todo conteúdo produzido com o auxílio dessas ferramentas precisa "informar, de modo explícito, destacado e acessível" que o material foi fabricado ou manipulado e qual a tecnologia empregada. Além disso, a Justiça Eleitoral proíbe a publicação e a reprodução "ainda que gratuitas" de conteúdos eleitorais sintéticos que tenham "imagem, voz ou manifestação de candidata ou candidato ou de pessoa pública" 72 horas antes de os eleitores irem às urnas e nas 24h após o pleito. E os sites de IA estão impedidos de recomendar candidatos mesmo que o usuário peça explicitamente. Desde 2024, o TSE garante ainda a compositores e artistas o direito a mandar retirar paródias, incluindo jingles, de obras que não tiveram autorização expressa do autor para serem usadas pelos candidatos. Conteúdos do tipo provocaram reclamações, entre outros anos, de cantores como Roberto Carlos, Caetano Veloso e Marisa Monte.
O GLOBO testa ferramenta de IA para criar jingle de candidato fictício; ouça
Popularização de ferramentas leva a disseminação de conteúdos do tipo nas redes sociais e a novo desafio para a Justiça Eleitoral






