Para uma vítima de violência sexual, relatar os detalhes da humilhação física é reviver a dor. Muitas desistem de processos porque expor a violência é sofrer de novo, agora diante de outros.
Ilana Gritzewsky foi. Enfrentou o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, no último dia 23, para contar o que viveu. "Eles me tocaram e abusaram sexualmente. Fui espancada e mutilada antes de perder a consciência. Acordei seminua, com sete terroristas em pé sobre mim, sem saber o que havia acontecido comigo naqueles momentos perdidos."
O quadril quebrado. A mandíbula quebrada. Cinquenta e cinco dias de cativeiro. "As pessoas veem meu rosto e pensam que estou livre. Mas liberdade não é um interruptor. O trauma não desaparece quando você é libertada."
Como sobrevivente, ela falou também em nome de outras mulheres, mortas e mutiladas.
Na mesma sala, sentada à sua frente, estava Reem Alsalem, relatora especial sobre violência contra mulheres e meninas. Formada em Oxford, ela tem forte atuação em questões de gênero, como o direito das mães, os abusos do Talibã e os riscos da mudança climática para mulheres. Um currículo invejável a serviço de uma causa impecável.








